Kingdoms Associated Press



20/07/1474 Manual Prático: Como derrotar a ONE em 360 dias



Lisboa (KAP)

Há histórias que só se contam por inteiro quando já têm fim. Sua Majestade o Rei Dom José Pacheco fez chegar a este jornal, e a todo o Reino, o relatório militar preparado pelo Alto Comando internacional que dirigiu, primeiro, a resistência portuguesa e, depois, a ofensiva da aliança luso-franco-ibérica. É o mais completo relato até hoje publicado dos doze meses que separam o desembarque dos primeiros agressores, em junho de 1473, da fuga final da ONE, em junho deste ano. A KAP traz-lho tecido com o que já apurou nos últimos meses, mas com uma riqueza de manobra e de números que só o olhar de quem comandou podia oferecer.

O documento abre em tom de advertência. Antes de narrar um só combate, os seus autores dedicam a introdução a prevenir contra o que chamam de reescrita interessada da história, contra os que, nas suas palavras, transformam o mais insignificante combate numa vitória extraordinária, sem uma só baixa nas próprias fileiras. A quem se dirige a advertência, o relatório não diz, e a KAP não vai adivinhá-lo em seu lugar. Fica o registro de que o próprio Alto Comando sentiu necessidade de a fazer, logo no umbral do seu relato.

Ao contexto, o relatório é claro: a guerra de Portugal não nasceu em Portugal. Insere-se numa campanha mais longa da organização ONE contra as nações livres, e o Reino interessava-lhe por razões concretas. Composto de três províncias, Porto ao norte, Coimbra ao centro, Lisboa ao sul, Portugal oferecia à ONE aquilo que a Irlanda, sua base, não lhe dava: um território continental a partir do qual lançar ofensivas, e sobretudo os arsenais e as florestas portuguesas, capazes de sustentar a construção naval de que a Ordem tanto dependia para manter o domínio dos mares.

Foi em junho de 1473, segundo o relatório, que dezenas de agressores desembarcaram pela via marítima e começaram a afundar embarcações ao longo de toda a costa. Em julho, veio a segunda fase, a eleição de membros da ONE e dos seus simpatizantes para o governo de Coimbra, movimento que esta casa já registrara pela proclamação de independência de 22 daquele mês. Nos meses seguintes, formou-se a frente que dividiria o Reino por quase um ano inteiro: Coimbra já perdida, o Porto sob controle inimigo ou de aliados seus, e uma linha que corria de Alcobaça, em mãos da ONE, até Santarém, defendida pela Aliança, reforçada por tropas chegadas de fora entre setembro e outubro. Ali se manteve a frente, quase estática, enquanto a ONE continuava a receber reforços, até fevereiro de 1474.

Foi então, com a chegada de cerca de duzentos voluntários reunidos em Toulouse e marchados até Valladolid, que a guerra mudou de ritmo. No início de março, a Aliança lançou o seu primeiro ensaio sério sobre Chaves: cento e cinquenta veteranos contra duzentos e vinte e cinco combatentes da ONE, distribuídos por cinco exércitos, quando, dias antes, a Ordem dispusera de apenas três e cento e cinquenta defensores, mas preferira reforçar-se a aceitar combate em igualdade. O resultado foi instrutivo: dois exércitos aliados foram repelidos, mas o de um general chamado Miramaz rompeu as linhas inimigas e perseguiu o adversário até Viseu, onde a ONE reuniu três exércitos contra o seu um só. A retirada terminou em Guarda, onde as forças de Miramaz se dissolveram para se reorganizar em Crato, enquanto, mais a sul, os combates entre Santarém e Alcobaça se repetiam em empates.

A resposta da ONE a esse primeiro revés foi, escreve o relatório, aquilo em que a Ordem mais se especializa: a ameaça. Enviou ultimato à Coroa de Castela e Leão, exigindo a expulsão das tropas francesas sob pena de se tornar o alvo seguinte. O efeito foi o inverso do pretendido: toda a Liga Ibérica se ergueu, mais cento e setenta e cinco soldados vieram reforçar os já trezentos presentes, e três frentes se consolidaram, Chaves ao norte, Guarda ao centro, Alcobaça ao sul, todas fortemente seguradas pela ONE. A dificuldade geográfica era enorme, apenas duas rotas levavam a Portugal, uma de cinco dias entre Valladolid e Guarda, outra de sete entre Osma e Guarda, mas foi nesse esforço coletivo que nasceu o nome que passaria à história: a Grande Aliança Franco-Luso-Ibérica. Em maio, juntou-se-lhe o grupo suíço BIL, elevando as suas fileiras a quinhentos e cinquenta combatentes contra os quatrocentos e cinquenta da ONE.

A meados de maio, o Alto Comando decidiu dividir as forças e atacar Guarda e Chaves em simultâneo. A 24 de maio, seis exércitos aliados, duzentos e cinquenta e dois combatentes bem equipados, lançaram-se sobre os cento e sessenta defensores de Chaves. O relatório não esconde o preço: duzentos e dez feridos do lado aliado, contra apenas noventa nas fileiras da ONE. Foi um combate extremamente violento, e o documento admite que o resultado ficou aquém do otimismo inicial dos estrategas.

Foi da recuperação desse golpe que nasceu o lance final da guerra, o mais elaborado de todo o relatório. Passadas duas semanas a tratar feridos, os espiões da Aliança notaram movimentos incomuns: dois exércitos abandonaram Chaves, um deixou Guarda, todos sob a proteção da floresta, deixando as duas praças quase desguarnecidas. A Aliança compreendeu o objetivo, romper as defesas de Santarém, então com apenas cerca de cento e quarenta homens, e abrir o caminho até Lisboa. Respondeu com mobilização geral em Valladolid e o envio de reforços a Chaves e a Guarda, na esperança de forçar a ONE a recuar para as defender.

Não recuou. Ultrapassou Alcobaça de noite e aproximou-se de Santarém a apenas dez nós de distância. Foi então que o Alto Comando percebeu a dupla intenção do inimigo: romper Santarém para abrir Lisboa, e, ao mesmo tempo, permitir que os seus feridos regressassem a Chaves e a Guarda, onde exércitos já reorganizados esperavam para deter o avanço aliado. Perante isso, tomou-se a decisão mais difícil de toda a campanha: abandonar Santarém, coração da resistência desde setembro de 1473, e recuar para Lisboa, perdendo ali a própria frota, encalhada em doca seca. No dia seguinte, a ONE entrou em Santarém sem combater.

Mas o cálculo inimigo tinha uma falha. Os exércitos que deixaram Chaves e Guarda para forçar aquele avanço perderam-se nas florestas, desorientados, incapazes de regressar a tempo. As forças aliadas aproximaram-se das duas praças, agora indefesas, e a ONE viu-se obrigada a recuar para Coimbra, para ali tentar reorganizar uma defesa que já não teria tempo de montar. Seguiu-se, nas palavras do relatório, a mais vergonhosa das retiradas: embarques apressados, levando consigo reservas, provisões e as riquezas saqueadas dos cofres das cidades e castelos portugueses.

É exatamente aqui que o relato do Alto Comando encontra o que a KAP já registrara ao vivo. O saque dos cofres de Chaves, de Coimbra, do Porto, que esta casa noticiou cidade por cidade em junho, ganha agora explicação de conjunto: não foi pilhagem dispersa, foi parte de uma fuga planejada. E a queda dos castelos de Coimbra e do Porto, a 24 de junho, e a reunificação proclamada dois dias depois, são o desfecho exato para onde este relatório conduz, o momento em que a manobra descrita pelos generais se cumpriu no terreno que os nossos leitores já conhecem.

O documento fecha com homenagem, e fá-lo por camadas. Aos soberanos, que nunca duvidaram da vitória; aos grupos de apoio, que sustentaram os exércitos no anonimato; aos comandantes, que mantiveram os homens unidos; e, sobre todos, aos soldados e voluntários, cavaleiros solitários e combatentes independentes que, escreve o relatório, esperaram meses a fio, alguns escondidos em florestas, outros vigiando o inimigo durante um ano inteiro, sem nunca desistir. Assinam o documento White de Tiallaz, General do Exército dos Sete e estratega da campanha; Edward Loryx Lancaster, Sábio de Valência, Regente e Chanceler Real daquele Reino e Príncipe da Coroa de Aragão; Lysianne, Condessa de Montroi, coordenadora dos voluntários; Kokkas de Monforte, Marquês de São Martinho e Condestável Real de Portugal, já conhecido dos leitores desta casa; Guillén d'Astarac y la Rochère, Príncipe de Fortuna; Elatar Quijada, Senescal do Exército da Catalunha; e Kayn de Urrea, Marquês de Loarre e Riglos, que assina agora como Marechal do Reino de Aragão, o mesmo título militar que manteve depois de deixar a coroa que ostentava durante a campanha, como a atual Rainha Carmen I explicou a este jornal.

O relatório encerra com um apelo que ultrapassa o relato militar: o de que nenhuma neutralidade perante a ONE é, de fato, neutra, e de que só o isolamento completo da Ordem, cortado todo o contato e toda a negociação, evitará novas guerras como esta. É posição do Alto Comando, tomada com a veemência de quem venceu a um custo alto, e a KAP regista-a como tal, sem a fazer sua nem a contestar, ciente de que o mesmo documento fala também, sem pejo, em hordas de mortos-vivos ao serviço do inimigo, e que ao leitor cabe julgar, com o discernimento de sempre, onde termina o relato e onde começa a retórica de guerra.

Fica, ao cabo desta leitura, o quadro mais completo que já tivemos de doze meses que começaram com naus a arder ao largo da costa e terminaram com um Rei coroado numa Catedral em festa. Entre um e outro extremo, marcharam exércitos entre Valladolid e Guarda, morreram-se homens em Chaves por duas vezes, abandonou-se Santarém para se salvar Lisboa, e uma aliança de cinco povos e mais aprendeu, combatendo, a chamar-se por um só nome. Que a paz que agora se ergue sobre Portugal saiba, revendo este relatório, o preço exato que por ela se pagou.
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19/07/1474 Carmen I de Aragão à KAP: "Livres por nossas leis"



Lisboa (KAP)

Há relações que começam por uma correção e terminam em aliança. A que une a KAP ao Reino de Aragão é uma delas. Foi como Condessa de Albarracín e embaixadora que Carmen de Montsoriu escreveu, semanas atrás, a este jornal, para corrigir com cortesia um deslize nosso, o de confundir o Reino de Aragão com a Coroa de Aragão, e para nos ilustrar, com paciência de mestra, sobre a realidade institucional do seu Reino. Hoje, por uma volta do destino que ela própria chamou de curiosa ironia, é a soberana desse Reino: as Cortes proclamaram-na Rainha de Aragão, e as perguntas que esta casa dirigira ao Regente couberam, afinal, a quem passou a ocupar o trono.

Aceitou respondê-las na nova condição, e fê-lo com a mesma clareza com que antes nos instruía. Das suas respostas emergem um retrato do porquê de Aragão ter ido à guerra, uma explicação, enfim luminosa, da dupla soberania aragonesa, e uma advertência que já ouvimos de outras vozes da Liga: a de que a ONE recuou, mas não desapareceu. Traduzidas do espanhol, seguem as suas respostas na íntegra à Kingdoms Associated Press.

KAP - Ascende Vossa Majestade ao trono do Reino de Aragão proclamada pelas Cortes. Com que espírito e com que prioridades inicia o seu reinado, e o que significa para o Reino abrir este novo capítulo justamente quando termina a guerra de Portugal?

Carmen I - Fui eleita pelas Cortes como Rainha de Aragão, e começo este reinado com o propósito de assegurar a estabilidade interior, fortalecer as nossas instituições e consolidar a paz que hoje começa a abrir caminho entre os nossos Reinos.

O fim da guerra em Portugal constitui, sem dúvida, uma notícia esperançosa para toda a Península. No entanto, seria imprudente confundir o término de uma campanha com o desaparecimento da ameaça. A organização Ordo Negrum Equites (ONE) demonstrou sobejamente a sua capacidade de alterar a paz onde quer que encontre ocasião para fazê-lo. Aragão continuará a atuar com a prudência e a vigilância que as circunstâncias aconselham, mantendo uma estreita coordenação com os seus aliados para preservar a segurança e a estabilidade da nossa região.

KAP - O Reino de Aragão interveio militarmente nessa guerra e o seu contingente permanece colaborando na reconstrução. O que levou o Reino a comprometer homens e recursos numa guerra travada fora das suas fronteiras, e que relação mantinha com a organização ONE e os seus aliados antes do conflito?

Carmen I - Permita-me, em primeiro lugar, matizar a premissa da pergunta. Aragão não decidiu intervir numa guerra alheia. Aragão respondeu ao mecanismo de defesa coletiva previsto no Tratado da Liga Ibérica quando um dos seus membros, o Reino de Castela e Leão, invocou formalmente a cláusula de assistência mútua diante de uma ameaça que comprometia a segurança de todos os membros da Liga.

Aquela decisão não surgiu de maneira improvisada. Meses antes, a organização Ordo Negrum Equites (ONE) havia protagonizado ações hostis contra um dos nossos aliados, ao atacar de surpresa os portos valencianos e afundar quantos navios se encontravam atracados neles. Tais fatos evidenciaram que a sua presença começava a representar um fator de crescente instabilidade para a Península. A ameaça representada por dita organização não se interpretou como um problema exclusivo do Reino de Valência, mas como um risco para a estabilidade do conjunto da Liga. Esse é, precisamente, o sentido da nossa aliança: compreender que a segurança de um não pode desligar-se da segurança de todos.

A ameaça dirigida posteriormente contra Castela confirmou que nos encontrávamos diante de um desafio que excedia as fronteiras de um só Reino e que exigia uma resposta coordenada. Os membros da Liga acudimos ao chamado do nosso aliado com o propósito de garantir a sua segurança e preservar o equilíbrio alcançado entre os nossos Reinos. O desenrolar dos acontecimentos conduziu, de forma natural, a que as operações se projetassem sobre o território português, onde o inimigo concentrava boa parte das suas forças. Isso tornou possível que os exércitos da Liga Ibérica, do Reino de Portugal e da França terminassem atuando de maneira convergente frente a um inimigo comum.

Para além da dimensão militar, a nossa permanência em Portugal e a nossa colaboração nas tarefas de reconstrução respondem a uma convicção que Aragão considera irrenunciável: a defesa da liberdade dos Reinos, o respeito à sua soberania e o cumprimento leal dos compromissos assumidos entre aliados. A nossa participação obedece à convicção de que a paz só pode preservar-se quando os Reinos permanecem unidos na defesa das suas liberdades e frente a toda ingerência externa que pretenda alterar pela força o destino de um povo.

KAP - Vossa Majestade ensinou a esta casa, com paciência, a distinção entre o Reino de Aragão e a Coroa de Aragão, entidades distintas dentro de uma mesma Liga. Como explicaria aos leitores portugueses essa dupla soberania aragonesa, e de que modo convivem ambas sem se confundirem nem se estorvarem dentro da aliança?

Carmen I - Compreendo que esta possa parecer uma realidade institucional complexa para quem a observa de fora. Boa parte dessa complexidade nasce de um fato puramente histórico: o Reino de Aragão e a Coroa de Aragão compartilham um mesmo nome, ainda que se trate de entidades políticas soberanas e plenamente diferenciadas.

Isso se explica pela própria evolução da nossa história. Nas suas origens, a Coroa integrou sob uma mesma autoridade diversos Reinos da Península, entre eles o Reino de Aragão, do qual herdou a sua denominação. Com o passar do tempo, aquele cenário foi evoluindo até dar lugar ao reconhecimento de distintas soberanias, sem que isso fizesse desaparecer uma denominação nascida daquele passado compartilhado e que ambas as entidades conservam hoje como parte da sua própria trajetória histórica.

Em definitivo, o nome constitui um fato histórico; a soberania, uma realidade política.

É verdade que aquela evolução não esteve isenta de conflitos. Durante anos existiram profundas discrepâncias acerca da natureza das nossas respectivas soberanias, e inclusive se produziram enfrentamentos armados. No entanto, aquelas diferenças ficaram definitivamente superadas com a Paz de Ses Salines, mediante a qual ambas as partes reconhecemos a nossa mútua independência e o pleno exercício da nossa soberania. Aquele acordo marcou o início de uma nova etapa de respeito institucional e boa vizinhança.

Sobre essa nova realidade foi possível construir, tempos depois, a Liga Ibérica. A aliança não nasceu para diluir a personalidade política dos seus membros, mas para oferecer um marco de cooperação entre Reinos e entidades soberanas que conservam integralmente a sua identidade e as suas instituições. A força da Liga não reside na existência de uma autoridade superior, mas na vontade livre dos seus integrantes de colaborar onde existem interesses comuns.

Por isso, longe de se confundirem ou estorvarem, o Reino de Aragão e a Coroa de Aragão convivem hoje como aliados que compartilham determinados objetivos, mas que exercem a sua soberania de maneira independente. A identidade do Reino de Aragão não precisa afirmar-se negando a de ninguém. Repousa sobre a realidade do seu território, das suas instituições, da sua ordem foral e do reconhecimento da sua soberania.

KAP - A Liga Ibérica proclama unir cinco membros sob o lema Quinque in iuncta uno. Como soberana que acaba de assumir, que lugar deseja Vossa Majestade que o Reino de Aragão ocupe na Liga, e confia em que a aliança saberá preservar a voz de todos os seus membros, grandes e pequenos, nos tempos de paz?

Carmen I - O prestígio de um Reino não se mede pela extensão do seu território nem pela magnitude dos seus recursos, mas pela fidelidade com que honra a sua palavra e cumpre os compromissos livremente assumidos. Aragão deseja seguir ocupando na Liga o mesmo lugar que procurou ocupar desde a sua criação: o de um aliado leal, comprometido com os interesses comuns, disposto a assumir as responsabilidades que lhe correspondam e a contribuir, com espírito construtivo, para o fortalecimento da aliança.

A história nos recorda de onde viemos; mas foram as espadas, a diplomacia e a vontade dos nossos povos que forjaram o presente. Hoje, a soberania e a independência das nossas terras constituem realidades políticas inquestionáveis. Quinque in iuncta uno simboliza esse novo tempo: cinco Coroas livres, cinco vontades soberanas que, por decisão própria, escolheram marchar unidas sob o estandarte da Liga Ibérica. Livres pelas nossas leis; invencíveis pela nossa união.

KAP - Selada a vitória, e expulsa a ONE da Península, ainda que não vencida por completo, segundo advertem os próprios aliados, que futuro deseja Vossa Majestade para a relação entre o Reino de Aragão e o Reino de Portugal, e sobre que bases gostaria de a ver construída nos tempos que se anunciam?

Carmen I - É meu desejo que a cooperação nascida durante esta campanha não termine com o silêncio das armas. A defesa conjunta de Portugal frente a uma ameaça comum permitiu estreitar vínculos entre os nossos povos, e confio em que essa confiança se transforme, em tempos de paz, numa relação duradoura entre o Reino de Aragão e o Reino de Portugal, baseada no respeito mútuo, na amizade entre as nossas nações e na cooperação institucional.

Os momentos de adversidade revelam quem são os nossos verdadeiros aliados, mas é na paz que se demonstra a vontade de construir juntos. Espero que os laços forjados nesta campanha sejam o fundamento de uma etapa de maior entendimento, intercâmbio e colaboração, em benefício de ambos os Reinos e da estabilidade de toda a Península.

Não quisera concluir sem agradecer à Kingdoms Associated Press, Portugal, a oportunidade de me dirigir, através das suas páginas, aos seus leitores. Foi uma honra fazê-lo.

Das palavras da Rainha de Aragão, a KAP retém a serenidade de quem começa a reinar sem se deixar embriagar pela vitória. Carmen I recusa a leitura fácil do triunfo: matiza que Aragão não interveio numa guerra alheia, mas cumpriu um tratado; recorda que a ONE atacou primeiro, nos portos de Valência; e adverte, como já o fizeram a Princesa Violant e a própria embaixada aragonesa, que dar a organização por acabada seria imprudência. É a terceira voz da Liga a dizer-nos o mesmo: a campanha terminou, a ameaça não.

Fica, sobretudo, a lição institucional que esta casa aprendeu a bem. Sobre a dupla soberania aragonesa, que tanto nos confundira, a Rainha ofereceu a fórmula que a resume: o nome é um fato histórico, a soberania, uma realidade política. Dois Reinos de um mesmo nome, reconciliados na Paz de Ses Salines, que hoje marcham lado a lado sob um lema que a soberana traduz em divisa própria, livres pelas suas leis, invencíveis pela sua união. Quanto a Portugal, o tom é de mão estendida: que os laços forjados na guerra sejam, deseja ela, o alicerce de uma amizade que a paz venha a firmar.

A Kingdoms Associated Press agradece a Sua Majestade Carmen I de Montsoriu, Rainha de Aragão, a deferência das suas palavras, e felicita-a pela ascensão ao trono, recordando, com apreço, que foi dela que esta casa aprendeu a nomear com rigor a realidade do seu Reino. Que o novo reinado seja, para Aragão e para a Península, tempo de concórdia.

Augusto Bibiano d'Avis, para a KAP de PORTUGAL.


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16/07/1474 Eleição para o Conselho de Condado de Coimbra: OMSEFV recolhe a maioria absoluta dos assentos.

LISBOA (KAP) - A lista Os mais sexys e fixes voltaram obtém mais votos na eleição para o Conselho de Condado de Coimbra, obtendo a maioria absoluta dos assentos. Deste modo, poderá governar sozinha.

Distribuição dos votos:

1. "Os mais sexys e fixes voltaram" (OMSEFV) : 100%

A distribuição proporcional dos assentos no conselho, em função dos votos, é feita da seguinte forma:

1 : Laurinha (OMSEFV)
2 : Gwenhwyfar (OMSEFV)
3 : Vilacovense (OMSEFV)
4 : Luiisa_corleone (OMSEFV)
5 : Zemanuel (OMSEFV)
6 : Jane_x (OMSEFV)
7 : Caractacus (OMSEFV)
8 : Bruce_drake (OMSEFV)
9 : Hiroshima (OMSEFV)
10 : Brighid (OMSEFV)
11 : Gitano (OMSEFV)
12 : Myrnia (OMSEFV)

Os novos membros do Conselho reconhecerão o novo Conde dentro de dois dias. O Conde, por sua vez, deverá prestar suas homenagens ao Monarca de Portugal e nomear os conselheiros para os seus novos cargos.

12/07/1474 Justiça de Coimbra condena ex-reitor Brigal por abuso de autoridade



Lisboa (KAP)

O Tribunal do Condado de Coimbra condenou o ex-reitor da Universidade, Brigal, pelo crime de abuso de autoridade, encerrando um dos processos mais comentados da Coimbra reconquistada. A pena, fixada em sentença da juíza Gwenhwyfar de Albuquerque e Monte Cristo, é de dez dias de prisão e multa de 200 cruzados. Assim se põe fim, ao menos em primeira instância, ao caso que opôs a Procuradoria do Condado ao antigo reitor, e que a KAP acompanhou desde a denúncia, passando pela defesa e pelo direito de resposta das partes envolvidas.

A acusação, movida pela Procuradoria Pública, sustentava que Brigal permanecera mais de nove meses à frente da reitoria sem promover a abertura regular de candidaturas, em violação dos deveres da função. A defesa, por sua vez, alegava um vazio legal e uma situação de guerra: a Universidade fechada por ordem do Conde, as leis do Condado suspensas, e a impossibilidade, segundo o réu, de convocar eleições em plena anormalidade institucional.

Na sentença, a juíza rejeitou essa linha de defesa por falta de amparo documental. Afirma haver consultado os registros da Universidade e do gabinete do Conde sem encontrar qualquer ato que ordenasse o fechamento da instituição, cessasse o exercício da reitoria ou definisse substituto. Da longa argumentação do réu, escreve, só dá razão a um ponto, o de que havia guerra. Quanto ao resto, considerou não estar baseado em fatos.

O núcleo da condenação está num elemento que a acusação trouxe e que, segundo a magistrada, a defesa não enfrentou. Os registros indicariam que houve, sim, abertura de candidaturas, mas que a sala onde deveriam decorrer fora trancada, e que a única chave estava com o próprio reitor. Para a juíza, isso significa que, ainda que alguém quisesse candidatar-se, não poderia, e é sobre esse ponto que assenta o juízo de que a Universidade se tornara, nas palavras da sentença, instrumento nas mãos do réu, com aulas que só ele ou os seus indicados lecionavam.

A magistrada afastou também dois argumentos acessórios da defesa. Quanto à alegada ordem do Conde para fechar a Universidade e ao suposto ataque de Lisboa a Coimbra, perguntou onde estariam publicadas tais ordens e provas, que diz não haver encontrado. E quanto à menção da defesa a um "Procurador de Lisboa" na peça acusatória, atribuiu-a a mero lapso da Procuradora, que teria assinado por engano "de Lisboa" em vez de "de Coimbra", classificando a exploração desse detalhe como tentativa de desviar as atenções do mérito.

A sentença apoia-se, por fim, num fundamento legal preciso. Ao assumir o governo, o Conde interino Darkfangs Álvares Pereira restaurou a Lei Orgânica que vigorava até 21 de julho de 1473, véspera da declaração de independência, tornando nulas as decisões posteriores. É à luz dessa lei restaurada que a juíza julgou e condenou o réu a dez dias de prisão e 200 cruzados de multa.

Cabe a esta casa, no entanto, um registro de transparência que o leitor merece. A juíza que proferiu a sentença, Gwenhwyfar de Albuquerque e Monte Cristo, é a mesma que sucedeu a Brigal na reitoria da Universidade, nomeada pelo novo Conselho de transição. A própria magistrada, em entrevista anterior a este jornal, havia declarado que a sua nomeação decorrera de um recomeço total decidido pelo Conselho, e afirmara então que a política ficava à porta da Universidade, e que a toga de juíza, quando a vestisse, seria fora dos claustros. O acúmulo das duas funções, a de quem o substituiu e a de quem o julga, é elemento que a KAP não emite juízo sobre, mas que entende dever informar.

Encerra-se, assim, um processo que foi, desde o início, mais do que uma questão administrativa. Nele se cruzaram a guerra e a paz, a lei suspensa e a lei restaurada, os vencidos e os vencedores. Brigal, que defendeu a independência de Coimbra e depois narrou a sua queda, foi julgado sob a lei do Portugal reunificado, e por ela condenado. Resta saber se recorrerá, e a KAP, fiel ao que tem feito desde a primeira linha deste caso, dará conta do que se seguir, ouvindo, como sempre, todas as partes.

Augusto Bibiano d'Avis, para a KAP de PORTUGAL.


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10/07/1474 O que a independência deixou ao Porto: uma baga e uma dívida



Lisboa (KAP)

A Casa do Povo da cidade do Porto não tem nada, e ainda deve. É essa, em duas linhas, a conclusão da auditoria que o Conde Dunlop Kalfani Torre, na qualidade de Prefeito Interino da cidade, fez publicar no Gabinete do Prefeito. A tesouraria municipal acusa saldo negativo de 7.689,92 cruzados. Nos armazéns, restam dois itens. E, segundo a nota que acompanha o documento, o esvaziamento não é obra do acaso nem da fome da guerra, mas de uma transferência de bens ocorrida em outubro de 1473.

O inventário de mercadorias, colhido a 28 de junho, dispensa comentário. Nos armazéns da Casa do Povo havia, ao todo, uma baga de sabugueiro preto e uma pedra interessante. Nada mais. Nem grão para semear, nem minério para as forjas, nem madeira, nem ferramenta. Uma cidade despida até os pregos.

O painel da tesouraria mostra como se chega a tal estado. No dia da apuração, como na véspera, o rendimento dos impostos foi de zero cruzados. O das vendas, igualmente zero. O que ainda sustenta a instituição é, quase por inteiro, o rendimento da nobreza, cento e vinte e cinco cruzados diários, setecentos e dezoito na semana, contra os quais corriam os salários dos milicianos e as despesas de recrutamento.

Os livros contabilísticos confirmam a exiguidade. No cômputo dos últimos sete dias, a receita global somou oitocentos e trinta e dois cruzados, dos quais setecentos e oitenta e cinco vieram do rendimento da nobreza, trinta e quatro de doações de particulares, doze da taverna e um único cruzado da venda de bilhetes para a arena. As despesas do mesmo período alcançaram quatrocentos e sessenta e oito cruzados, sendo cento e vinte em salários dos milicianos. Uma cidade que vive de esmola de nobres e de bilhetes de arena não fornece machados nem reergue oficinas.

A origem do buraco está fixada na nota do Prefeito. A Casa do Povo, escreve Dunlop, encontrava-se ao abandono desde Outubro de 1473, quando os bens e o dinheiro da mesma foram retirados e passados para os cidadãos Ana_clara e Malvino. Desde então, prossegue, contraiu-se a dívida de quase oito mil cruzados que a nova administração diz agora tentar reverter. Os registros da auditoria situam as transações naquele mesmo período, em que Malvino ocupava a prefeitura da cidade.

O peso disso não se mede apenas em algarismos. Uma Casa do Povo é o celeiro e o cofre comum de uma cidade, aquilo a que recorrem os que precisam de trabalho, de sementes, de pão. Que a do Porto tenha atravessado a guerra sem reservas, e saia dela devendo oito mil cruzados, explica muito do que se vê hoje nas suas ruas: oficinas paradas, minas por reabrir, gente sem sustento. Os cidadãos que sustentaram a cidade com o seu trabalho descobrem agora que o produto dele não estava lá quando dele precisaram.

O caso repete um padrão que a KAP tem registrado de praça em praça. Em Chaves, cidade do mesmo Condado, os livros revelaram, após a reconquista, que a prefeita separatista em fuga levara consigo mais de mil cruzados do erário. Em Coimbra, a auditoria dos cofres condais, conduzida pelo Comissário do Comércio, apurou pouco mais de três mil cruzados, e o general Vilacovense declarou a este jornal que haviam roubado todo o espólio do Condado. Não se trata, ao que tudo indica, de episódios isolados, mas de método.

Restava ouvir os nomeados, e a KAP procurou Malvino por três vezes, colocando-lhe as suas páginas à inteira disposição e formulando-lhe perguntas que admitiam defesa integral. Bastava dizer se recebeu os bens, sob que autoridade, e que destino lhes deu. Se os recebera por ordem legítima do governo então em funções, e aos fins públicos os destinara, este jornal o publicaria com o mesmo destaque que deu à acusação.

Não veio negativa alguma. Numa primeira resposta, Malvino escusou-se com um dito popular, alegando não haver sido prefeito nos últimos anos, ao que esta casa esclareceu que não lhe imputava o mando da retirada, e sim o proveito dela. Na segunda, escrita a 9 de julho, recorreu a uma alegoria de animais de quinta, na qual acomodou chalaças a pessoas deste Reino, e concluiu, ao explicar o que fizera do que recebera, que não podia deixar os animais da minha quinta a passar fome.

Não cabe a este jornal converter uma zombaria em confissão. Cabe-lhe registrar que, interrogado três vezes sobre se lhe foram entregues bens do povo do Porto, Malvino nunca o negou. Que dispunha de uma palavra para se livrar da acusação, e não a disse. E que, questionado sobre o destino daqueles bens, respondeu falando do gado da sua propriedade. O que o leitor há de concluir de tal silêncio, a KAP deixa ao seu critério, como sempre deixou.

Enquanto isso, no Porto, uma baga de sabugueiro e uma pedra é tudo o que resta nos armazéns de uma cidade inteira. Não foi a guerra que os esvaziou. Foram mãos independentes, que sabiam onde estava a chave. Da independência proclamada não por ambição, mas por Justiça, ficaram ao povo do Porto uma baga, uma pedra e uma dívida.

Augusto Bibiano d'Avis, para a KAP de PORTUGAL.


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Cours

Product Price Variation
Loaf of bread 4.56 -0.28
Fruit 9.92 0
Bag of corn 3.7 0.87
Bottle of milk 9.48 0.11
Fish 20.26 0.06
Piece of meat 12.25 0.13
Bag of wheat 10.89 -0
Bag of flour 12.88 1.64
Hundredweight of cow 20.53 0.33
Ton of stone 10.44 -0
Half-hundredweight of pig 15.41 0.05
Ball of wool 10.86 -0.14
Hide 16.32 -0.06
Coat 49.5 0
Vegetable 9.38 -0.18
Wood bushel 4.19 0.08
Small ladder 20.18 0
Large ladder 68.02 0
Oar 20 -0
Hull 36.49 0
Shaft 8.16 -0.14
Boat 99.33 0.63
Stone 18.32 -0.11
Axe 150.74 0
Ploughshare 38.44 0
Hoe 30 0
Ounce of iron ore 11.52 0.2
Unhooped bucket 21.88 0
Bucket 37.73 0
Knife 17.89 0
Ounce of steel 49.04 -0.06
Unforged axe blade 53.91 0
Axe blade 116.44 0
Blunted axe 127.79 -2.51
Hat 53.38 0.08
Man's shirt 119.57 0.12
Woman's shirt 121.14 0
Waistcoat 141.4 0
Pair of trousers 74.61 -0.09
Mantle 257.82 0
Dress 265.04 -0.2
Man's hose 45.63 -0
Woman's hose 44.32 0
Pair of shoes 27.53 -0.01
Pair of boots 86.57 0
Belt 45.2 -0
Barrel 12.02 0
Pint of beer 0.82 0
Barrel of beer 66.51 2.5
Bottle of wine 1.66 0
Barrel of wine N/A N/A
Bag of hops 19.34 0
Bag of malt 10 0
Sword blade 101.19 0
Unsharpened sword 169.69 0
Sword 146.48 -0.07
Shield 36.91 0
Playing cards 73.55 -0
Cloak 180.72 0
Collar 68.35 -0.06
Skirt 135.35 0
Tunic 222.36 0
Overalls 115.73 0
Corset 117.2 0
Rope belt 53.86 0
Headscarf 60.73 0
Helmet 164.91 0
Toque 48.61 0
Headdress 79.65 0
Poulaine 64.02 0
Cod 11.36 0
Conger eel 12.81 0
Sea bream 18.31 0
Herring 17.43 0
Whiting 17.42 0
Skate 12.16 0
Sole 18.11 0
Tuna 12.51 0
Turbot 18.02 0
Red mullet 16.53 0
Mullet 12.47 -0
Scorpionfish 20.5 0
Salmon 16.51 0
Arctic char 12 0
Grayling 14.77 0
Pike 17.6 0
Catfish N/A N/A
Eel 15.09 0
Carp 17.98 0.03
Gudgeon 17.68 -0.04
Trout 17.51 0
Pound of olives 13.38 0
Pound of grapes 9.18 0
Sack of barley 10.67 0
Half-hundred weight of goat carcasses 18.99 0
Bottle of goat's milk 12.81 0
Tapestry 143.6 0
Bottle of olive oil 121.94 -0
Jar of agave nectar N/A N/A
Bushel of salt 19.89 0
Bar of clay 3.43 -0
Cask of Scotch whisky 93.32 -0
Cask of Irish whiskey 131.27 0
Bottle of ewe's milk 10.57 0
Majolica vase 10 0
Porcelain plate N/A N/A
Ceramic tile N/A N/A
Parma ham 84.97 0
Bayonne ham 34.65 -0
Iberian ham 70.28 0
Black Forest ham 54.72 0
Barrel of cider 51.16 0
Bourgogne wine 76.22 0
Bordeaux wine 60.89 0.31
Champagne wine 141.21 -5.25
Toscana wine 33.69 0
Barrel of porto wine 87.44 0
Barrel of Tokaji 163.71 0
Rioja wine 159.19 0
Barrel of Retsina 36.79 -0
Pot of yoghurt 85.17 -0
Cow's milk cheese 77.07 0
Goat's milk cheese 85.06 2.5
Ewe's milk cheese 52.26 0
Anjou wine 50.88 -0
Ewe carcass 15.03 0
Mast 456.7 0
Small sail 215.71 0
Large sail 838.79 0
Tumbler of pulque N/A N/A
Jar of pulque N/A N/A