Kingdoms Associated Press



22/06/1474 Os hinos do trovador francês Piers de Fécamp



Lisboa (KAP)

Há guerras que se contam em despachos, e há guerras que se cantam. A que hoje atravessa Portugal ganhou, entre os exércitos que vieram de França em socorro da liberdade do Reino, a sua voz: a de Piers de Fécamp, soldado e trovador das hostes francesas que, entre uma marcha e uma batalha, compôs duas canções que acompanham, do princípio ao desfecho, a campanha da Aliança Franco-Ibérica contra os estrangeiros da ONE e de Meridio.

A primeira, Le Chant du départ vers le Portugal — O Canto da Partida Rumo a Portugal —, nasceu em fevereiro, quando as colunas francesas se punham a caminho do sul. É uma canção de marcha, de estandartes erguidos e aço pronto, de passo pesado e coração ardente. Nela, Piers evoca um povo do sul acorrentado sob o jugo do invasor e um exército que se lança, por um mês inteiro de marcha, sob a noite, a fome e o frio, para o libertar — saber vencer e saber resistir, eis o seu juramento, pela liberdade de Portugal. Os pendões negros do inimigo, que diz flutuarem sem honra sobre as cidades, e os campos e igrejas profanados anunciam a tempestade que o ferro virá responder. Era, em suma, o hino da expedição: a guerra enunciada, desde a primeira nota, como empresa de libertação. Veja a tradução do texto:

O Canto da Partida rumo a Portugal


A estrada é longa, mas a hora soou.


Estandartes se erguem ao vento.

A França marcha, o aço está pronto.


O passo é pesado, o coração ardente.

Ao sul, um povo está sob correntes,


a santa cruz pisada pelo invasor.


Hoje o exército se põe em marcha

para libertar um povo irmão.


A França nos chama:

saibamos vencer, saibamos resistir,


pela vida.

Pela liberdade de Portugal,

marchamos prontos a tudo oferecer.


Um mês de marcha, um mês de provação,

sob a noite, a fome e o frio.


Não se cala a aproximação da obra

em que o opressor tombará.


Eles acreditaram que a terra estava sem defesa.

Eles acreditaram que o medo seria eterno.


Mas ouvirão, de vale em vale, de árvore em árvore,


a França que avança,

sabendo vencer, sabendo resistir,

pela liberdade dos povos.


Marchamos prontos a tudo.

Os estandartes negros do inimigo

flutuam sobre cidades tomadas sem honra.


Eles pisaram campos e igrejas,

e esmagaram a lei pelo medo.


Que saibam: vem a tempestade.

Que o ferro responderá à força.


A França entra na batalha

pela honra e pela liberdade.


A França nos chama:

saibamos vencer, saibamos resistir,


pela liberdade,

marchamos prontos a tudo.


A segunda, Le Chant de la Libération — O Canto da Libertação —, foi lançada hoje, 21 de junho, e já se ouve em todos os acampamentos legalistas. Se a primeira era partida, esta é desfecho. Canta os que vieram de além-mar, seguros da sua força e do seu poder, julgando a vitória já ganha — e o Portugal que, apesar de tudo, permaneceu de pé. Os da ONE, tidos por invencíveis e temidos por tantos reinos, são agora dados por vencidos: hoje fogem, o seu avanço quebrado, as suas armas em retirada. Voluntários acorridos de toda a parte, de reinos distantes às terras daqui, unidos em defesa da liberdade — e é dessa união dos povos que a canção faz a força que derrubou os que se criam senhores dos portos e dos oceanos. O refrão, desafiador, repete que não passarão, que não se recuará, que não se cederá. Veja a tradução da canção:

O Canto da Libertação


Eles vieram por além dos mares,

seguros de sua força e de seu poder.


Já acreditavam ter a vitória nas mãos,

mas Portugal permaneceu de pé.


Sim, os inimigos foram vencidos.

Sim, eles, que se julgavam tão fortes.


Sim, Portugal os enfrentou.

Sim, hoje eles fogem.


Não, eles não passarão.

Não, nós não recuaremos.


Não, nós não dobraremos os joelhos.

Não, nós não cederemos.


Voluntários vieram de toda parte

para defender um povo que permaneceu de pé.


De reinos distantes até as terras daqui,

todos unidos para defender a liberdade.


Sim, os inimigos foram vencidos.

Sim, eles, que se julgavam tão fortes.


Sim, Portugal os enfrentou.

Sim, hoje eles fogem.


Não, eles não passarão.

Não, nós não recuaremos.


Não, nós não nos dobraremos.

Não, nós não cederemos.


Eles já se viam conquistadores,

senhores dos portos e dos oceanos.


Hoje, seu avanço foi quebrado.


Suas armas batem em retirada.

Sim, eles foram vencidos.


Sim, eles, que se julgavam tão fortes.


Sim, Portugal os enfrentou.

Sim, hoje eles fogem.


Não, eles não passarão.

Não, nós não recuaremos.


Não, nós não nos dobraremos.

Não, nós não cederemos.


Diziam que eles eram invencíveis.

Muitos reinos os temeram.


Mas os povos se reuniram,

e sua vontade os venceu.


Sim, os inimigos foram vencidos.

Sim, eles, que se julgavam tão fortes.


Sim, Portugal os enfrentou.

Sim, hoje eles fogem.


Não, eles não passarão.

Não, nós não recuaremos.


Não, nós não nos dobraremos.


Não, nós não cederemos.

Abaixo os tiranos.


Viva a liberdade.


O próprio autor explicou o sentido da obra. Le Chant de la Libération, disse o trovador das hostes francesas, narra um dos momentos mais marcantes da campanha de Portugal: a ONE dominava os mares e muitos a julgavam invencível, mas, ao cabo de meses de guerra, de resistência e de mobilização, Portugal permaneceu de pé. Vieram voluntários de todos os horizontes em defesa da liberdade e, perante essa união dos povos, o avanço da ONE foi quebrado e os seus exércitos bateram em retirada. A canção, nas suas palavras, celebra a vitória, a coragem dos defensores e a prova de que mesmo os poderosos podem ser detidos quando um povo se recusa a ceder. Rematou com o brado que ecoa agora pelas tendas: À bas les ONES ! Vive la liberté !

Convém, ainda assim, o reparo que o ofício impõe: estas são canções de um lado. Hinos do campo aliado e legalista, nos quais o invasor tem nome — ONE, Meridio — e os voluntários trazem a libertação. Toda a arte de guerra empunha um estandarte, e não há dúvida de que, do outro lado das linhas, a mesma campanha se cantaria de outro modo. Mas é precisamente como documento de um espírito — o fervor que trouxe a solo português gentes de reinos longínquos, e o ânimo que hoje percorre os acampamentos — que estas melodias merecem registo. E há nelas uma coincidência que não escapa ao cronista: enquanto os exércitos reais entram em Coimbra e a maré da guerra se inverte, as tendas cantam a libertação. A espada e a canção marcham, desta vez, ao mesmo passo.

Porque as guerras, passada a poeira, sobrevivem menos nos números das baixas do que nas histórias que delas se contam. Reconstruídas as praças e regularizadas as vilas, talvez seja por estas toadas — e não pelos comunicados — que o povo recordará os meses em que Portugal, segundo o trovador, se recusou a ceder. A KAP regista-as, pois, para a história: não como veredicto, mas como eco.

Augusto Bibiano d'Avis, para a KAP de PORTUGAL.


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21/06/1474 Pacheco fala à KAP: O tempo Urge!



Lisboa (KAP)

Durante meses, a guerra que assola o Reino de Portugal foi acompanhada pela população mais pelo rumor das praças e pelos relatos cruzados de aliados e adversários do que por palavras vindas do próprio Trono. A escassez de comunicados oficiais, sobretudo quando comparada à profusão de éditos de reinados anteriores, tornou-se ela própria um dos traços deste conflito. Foi nesse silêncio que a recente perda de Santarém para as forças rebeldes despertou renovada preocupação entre os cidadãos portugueses e os observadores estrangeiros.

Diante disso, a Kingdoms Associated Press dirigiu, a 16 de junho de 1474, carta a Sua Majestade o Rei D. José Pacheco, solicitando informações sobre o estado da guerra e colocando as suas páginas à disposição para a publicação de eventual pronunciamento à nação. O Rei respondeu — e, ao fazê-lo, quebrou um silêncio de semanas para confirmar aquilo que até então circulava apenas como relato de fontes militares: Santarém regressou ao Condado de Lisboa.

Segundo o soberano, o último mês foi decisivo para as aspirações de libertação do povo português, em conjunto com os aliados da restante península ibérica e com os aliados francófonos. A pressão dos que o monarca classifica como invasores italianos e irlandeses foi, nas suas palavras, imensa, e durante meses a resistência viu-se em dificuldade; mas a perseverança de todos foi o ingrediente chave do êxito das operações diplomáticas e militares da aliança.

Sobre Santarém, o Rei é direto. Reconhece que, ao tempo do recebimento da carta da KAP, a cidade se encontrava fora dos domínios do Conselho de Lisboa; mas garante que, à hora em que redigia a resposta, Santarém está de volta ao seu devido lugar no Condado de Lisboa. O relato coincide com a leitura, recolhida por este jornal, de que a praça foi cedida e recuperada no quadro da contraofensiva de junho.

A resposta régia traz, ainda, um dado de relevo. O monarca afirma que as tropas aliadas, após várias dificuldades em transpor as fronteiras portuguesas, entraram nos domínios dos condados do Porto e de Coimbra, de modo a que os três condados do Reino fossem intervencionados pela coligação internacional. A afirmação alarga o teatro de operações para além da defesa de Lisboa, abrangendo as praças do Norte e do Centro — justamente onde se travaram os combates de Chaves e da Guarda já noticiados pela KAP.

Fiel a um estilo que ele próprio descreve, D. José Pacheco evita o tom de triunfo. Admite que não há uma vitória já consumada e enumera o muito que resta: vilas e cidades por regularizar, populações por animar e reintegrar. A guerra, reconhece, desgastou o tecido social do Reino, e o povo anseia pela estabilização do clima social. O soberano não se furta tampouco a abordar o que motivou a própria carta deste jornal: reconhece que a divulgação pública de comunicados foi diminuta face à dos seus antecessores, atribuindo-o ao temperamento de quem se diz pessoa de poucos devaneios públicos, mais voltada à gestão da coisa pública do que ao anúncio. Promete, em contrapartida, comunicação formal à população e declara contar com o apoio da KAP para divulgar ao Reino e a toda a Europa o caminho trilhado.

Como é natural num pronunciamento da Coroa, a resposta oferece a perspectiva do Trono: confiante, grata aos aliados e voltada para o futuro. Confirma os traços largos do quadro militar, mas não apresenta o balanço pormenorizado que o público aguarda — não há números de baixas, mapa atualizado das praças seguras nem calendário para a estabilização anunciada. Esse detalhe, segundo o próprio Rei, virá nas comunicações formais prometidas, e será por elas que se poderá medir a distância entre o ânimo de hoje e a vitória que ainda se diz por consumar.

Por ora, fica o registo de um momento. Um rei de poucas palavras escolheu, enfim, dirigir algumas ao seu povo, e fê-lo para dizer que Santarém regressou e que os ânimos se ergueram. Não é o fim da guerra; é o instante em que a Coroa volta a falar. E, num reino que durante meses ouviu sobretudo o silêncio, isso já é, por si só, notícia. A KAP continuará acompanhando os acontecimentos e aguarda, como o resto do Reino, as comunicações que Sua Majestade anunciou — para que ao registo do ânimo se some, em breve, o registo dos factos.

Augusto Bibiano d'Avis, para a KAP de PORTUGAL.


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19/06/1474 Brigadas Internacionais Libertárias: Isto significa ser livre!



Lisboa (KAP)

A guerra em território português entrou, nos últimos dias, em uma fase de reconfiguração acelerada. Após semanas de silêncio oficial e de informações fragmentadas sobre as frentes de combate, a Kingdoms Associated Press recebeu resposta do Quartel-General das Brigadas Internacionais Libertárias - BIL a respeito dos recentes acontecimentos envolvendo Santarém, Chaves, Guarda e a dissolução de exércitos associados à ONE.

A organização afirma falar em seu próprio nome, mas também declara interpretar “as ideias e sentimentos dos aliados” que, nos últimos meses, teriam colocado recursos, homens e esforços à disposição da campanha. Em sua resposta, a BIL agradece nominalmente a franceses, espanhóis em geral, portugueses e demais “homens livres” vindos de diferentes regiões da Europa, além de elogiar o alto comando da aliança e a resistência portuguesa, que, segundo o comunicado, teriam ensinado “o que significa ser gente livre”.

A tomada de Guarda e Chaves é apresentada pela BIL como uma vitória dos “povos livres europeus”, sobretudo por ter rompido a imobilidade que se arrastava havia meses no teatro de guerra. Segundo a organização, as cidades encontradas pelas forças aliadas estavam “no limite, abandonadas e esvaziadas”, imagem usada para reforçar a acusação de que a ONE representa “colonização, exploração e destruição”.

O ponto mais relevante da resposta, contudo, está na explicação sobre Santarém. Segundo a BIL, não haveria mais, neste momento, exército da ONE em solo português. A organização sustenta que o alto comando da aliança, presidido pelo general White, teria decidido explorar as expectativas e os cálculos estratégicos adversários. A ONE, segundo essa leitura, acreditava que a batalha decisiva ocorreria nos bosques ao redor de Santarém e dentro da própria cidade, permitindo-lhe tomar um ponto importante para o controle do sul, concentrar pressão sobre Lisboa e preservar rotas de retorno para feridos e mortos em Chaves e Guarda.

A resposta da BIL afirma que o comando aliado decidiu “deixar Santarém ao inimigo” para que este tomasse a cidade e, no dia seguinte, fosse cercado por exércitos aliados. Ao mesmo tempo, as forças que aguardavam nos bosques para uma eventual emboscada teriam sido deixadas sem o combate que esperavam. A manobra, se confirmada, reforça a interpretação de que Santarém foi temporariamente cedida como parte de uma operação de contenção e desgaste, e não simplesmente perdida por incapacidade defensiva.

A organização resume essa leitura com uma frase de teor estratégico: “As guerras não se decidem apenas no campo de batalha.” A afirmação dialoga com a descrição anteriormente recolhida pela KAP junto a Tuzun Astur & Cottoné, Barón de Baztán y de Salobreña, cidadão de Zaragoza, que relatou o desconcerto inicial de soldados aliados diante da retirada para Lisboa, mas depois interpretou a operação como uma escolha deliberada de sacrificar o orgulho momentâneo para alcançar vantagem maior.

Na visão da BIL, o conflito contra a ONE entrou “oficialmente em uma nova fase estratégica”. A organização interpreta a retirada e a dissolução de exércitos adversários como sinal de “raiva, frustração e resignação”. Ao mesmo tempo, adota cautela ao afirmar que Portugal estaria “livre por enquanto”, advertindo que a ONE ainda “serpenteia” e se infiltra em cortes imperiais e em outros espaços de poder, podendo voltar a atacar.

A resposta também aborda a situação dos prisioneiros em Coimbra, descritos pela BIL como símbolo do conflito. Segundo a organização, os detidos representam o valor e a lógica da ONE, classificada como um mal a ser extirpado. A entidade sugere ainda que a situação dos prisioneiros pode ter contribuído para a resignação das forças adversárias e para o enfraquecimento de sua estratégia recente.

Questionada sobre os rumos da guerra, a BIL afirma que seu objetivo é ajudar Portugal a “reapropriar-se de sua terra”. Em tom duro, defende que nobres considerados corruptos e colaboradores da ONE sejam punidos severamente, e ressalta que a guerra mais ampla contra a organização não se encerrará em território português. A declaração confirma que, para as Brigadas, Portugal é uma frente importante, mas não o limite final do conflito.

A frase escolhida pela BIL para resumir o estado atual da guerra é igualmente significativa: “A liberdade não se troca, não se vende e não se cede; a liberdade é inerente ao homem: se perdida, é conquistada e arrancada por todos os meios necessários.” O comunicado encerra com uma imagem de tom quase alegórico, ao afirmar que, no fim dos contos de fadas, “o ogro sempre paga a conta”.

A resposta confirma, portanto, que as Brigadas Internacionais Libertárias se veem não apenas como força auxiliar, mas como parte ideológica e operacional da ampla coalizão anti-ONE em território português. A organização reivindica participação na virada recente do conflito, interpreta a retomada de Santarém e os avanços em Chaves e Guarda como resultado de planejamento aliado e procura enquadrar a guerra como luta continental entre liberdade e dominação.

Do outro lado, lideranças associadas à ONE vêm sustentando narrativa distinta, segundo a qual as movimentações recentes seriam parte de uma guerra ainda móvel, na qual retiradas, dissoluções e mudanças de posição não indicariam derrota definitiva. A disputa, portanto, segue aberta também no campo discursivo: para a BIL e seus aliados, os últimos dias marcaram uma virada estratégica; para a ONE, o conflito permanece longe de concluído.

Ainda que a ausência de pronunciamentos oficiais portugueses completos recomende prudência, o conjunto das informações disponíveis aponta para uma alteração importante no equilíbrio do conflito. Santarém retornou ao controle de Lisboa; Chaves e Guarda foram apresentadas como vitórias dos aliados; exércitos associados à ONE foram dissolvidos; e a guerra, antes marcada pela pressão sobre Lisboa, parece ter entrado em etapa de contraofensiva.

A KAP continuará acompanhando os acontecimentos, buscando novas manifestações das autoridades portuguesas, das forças aliadas e das lideranças adversárias, a fim de registrar com rigor a evolução de um conflito que já ultrapassou a disputa local e se tornou um dos principais capítulos militares da Europa contemporânea.

Augusto Bibiano d'Avis, para a KAP de PORTUGAL.


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18/06/1474 Virada no teatro de guerra português: Avanço franco-ibérico pressiona ONE



Lisboa (KAP)

Os últimos dias trouxeram uma mudança relevante no curso da guerra em território português. Depois de meses de ofensivas, recuos, cercos prolongados e intensa disputa de narrativas, informações recebidas pela KAP indicam que a chamada Coalizão Franco-Ibérica obteve avanços importantes em diferentes frentes, enquanto forças associadas à ONE sofreram dissoluções sucessivas e perdas de posição.

Na manhã de 15 de junho de 1474, exércitos da França e da Liga Ibérica entraram em Chaves, no Condado do Porto, e em Guarda, no Condado de Coimbra. Relatos colhidos pela KAP também apontam movimentações sobre Lamego, reforçando a leitura de que a frente anti-ONE deixou de ser apenas franco-lisboeta para assumir composição mais ampla. Ao lado dos franceses, atuam valencianos, catalães, castelhanos e aragoneses, em cooperação com portugueses fiéis à Coroa portuguesa.

A sucessão dos acontecimentos parece ter surpreendido observadores que, até pouco tempo atrás, viam a ONE em posição de força. Desde fevereiro, o grupo e seus aliados haviam consolidado avanços significativos. Forças ligadas à ONE partiram de Coimbra, pressionaram a região de Guarda, avançaram sobre posições lisboetas a partir de Crato e tomaram Setúbal e Alcácer do Sal, destruindo embarcações nos portos. A ofensiva marítima e terrestre produziu, naquele momento, a impressão de que Lisboa se encontrava comprimida entre a ameaça naval e a pressão continental.

Em março, a guerra concentrou-se em frentes de grande desgaste. Em Chaves, quatro exércitos franceses tentaram romper a fronteira, mas foram repelidos por forças da ONE e de seus aliados. Pouco depois, em 15 de março, Lisboa lançou uma ofensiva sobre Alcobaça com cinco exércitos, sem êxito. O combate resultou em numerosas baixas e relatos de que cerca de quarenta e dois sobreviventes conseguiram retirar-se em direção a Santarém. O episódio reforçou, à época, a percepção de que a ONE ainda preservava capacidade de impor derrotas severas aos seus adversários.

Abril também foi marcado por reveses para as forças legalistas e aliadas. A ONE conseguiu repelir duas vezes os exércitos franceses na região de Crato, enquanto Coimbra e seus aliados recuperavam Guarda. No mesmo período, Viseu passou a apresentar-se como território livre, ampliando a instabilidade política e militar do centro-norte português. Até então, a leitura dominante era de que a malha defensiva da ONE continuava difícil de romper e que seus adversários ainda buscavam uma forma consistente de retomar iniciativa.

A situação começou a se tornar mais ambígua no final de maio. Entre os dias 22 e 25, a região de Guarda voltou ao centro das operações. O ponto de passagem ali existente foi apresentado, por ambos os lados, como posição vital. Houve reivindicações de controle, relatos contraditórios e interpretações divergentes sobre o que realmente ocorrera. A avaliação mais recente sugere que ataques liderados por forças associadas à ONE foram repelidos e que parte das posições ocupadas posteriormente só caiu após retirada estratégica de forças aliadas, destinadas a recuperar, reagrupar e reposicionar tropas. Essa leitura altera substancialmente a ideia de uma ruptura frontal das linhas adversárias, indicando antes uma sequência de manobras, desgaste e ocupação posterior de terreno deixado vazio por cálculo militar.

Também em maio, a posição de Chaves foi palco de combates de grande violência. Um ataque noturno envolvendo forças leais à ONE e contingentes franco-ibéricos deixou incontáveis mortos e feridos no campo. O episódio demonstrou que a guerra no norte não se limitava a movimentações de cerco ou controle de povoações, mas envolvia confrontos diretos de alto custo humano, nos quais nenhuma das partes saía ilesa.

A virada mais significativa, porém, ocorreu em junho. Enquanto os exércitos franco-ibéricos avançavam sobre Chaves, Lamego e Guarda, a cidade de Santarém tornou-se peça central de uma manobra que, segundo relatos aliados, teria sido cuidadosamente planejada. A ONE e seus aliados pareciam convencidos de que Santarém era o eixo da movimentação adversária. A cidade era estratégica, funcionava como porta de pressão sobre Lisboa e oferecia vantagem a quem a controlasse.

Foi nesse contexto que forças ligadas à ONE avançaram sobre Santarém. Segundo a descrição de Tuzun Astur & Cottoné, Barón de Baztán y de Salobreña, cidadão de Zaragoza, os comandantes aliados teriam permitido que esse movimento ocorresse. A retirada em direção a Lisboa, à primeira vista desconcertante para muitos soldados, teria feito parte de uma decisão deliberada. “Não era fácil abandonar uma posição sem combater”, escreveu Tuzun, observando que “a nenhum soldado agrada a sensação de ceder terreno” e que “o orgulho sempre protesta antes da razão”.

Ao amanhecer, segundo o relato, os conquistadores encontraram uma cidade vazia, sem resistência organizada dentro das muralhas. “Conquistaram Santarém, sim”, escreveu Tuzun, “difícil teria sido fracassar em semelhante empresa quando o único inimigo presente era o eco das suas próprias botas sobre os paralelepípedos”. A ironia do testemunho resume a interpretação aliada: a tomada de Santarém teria sido menos uma vitória decisiva da ONE e mais a isca de uma manobra maior.

Enquanto isso, as forças franco-ibéricas e portuguesas avançavam em outras direções. Chaves, Lamego e Guarda passavam para controle aliado ou eram alcançadas por seus exércitos. O tabuleiro se movia longe da cidade que a ONE acreditava ser o centro da operação. A armadilha teria se fechado quando o exército de Letyzia, após entrar em Santarém e afundar navios ancorados nas docas, ficou preso dentro da cidade, sem condições de manter posição ou executar a retirada inicialmente prevista.

Diante desse quadro, Letyzia teria dissolvido o exército e escapado por mar, embarcando numa carraca. Na mesma noite, voluntários e forças leais a Lisboa e à Coroa portuguesa retomaram o controle de Santarém. A cidade, cuja queda havia provocado preocupação e silêncio oficial, voltou assim ao domínio direto lisboeta.

A retomada possui peso militar e simbólico. Militarmente, Santarém deixa de funcionar como ponto avançado de pressão contra Lisboa e volta a integrar o sistema defensivo do Condado. Politicamente, sua recuperação demonstra que a ofensiva da ONE não conseguiu converter a tomada momentânea da cidade em ocupação duradoura. Em termos de moral, o retorno de Santarém a Lisboa ocorre justamente quando os aliados anunciam avanços simultâneos em Chaves, Lamego e Guarda.

O dado mais expressivo da atual fase, se confirmado em toda a sua extensão, é a dissolução de sete dos nove exércitos que a ONE teria à disposição. As informações recebidas indicam que, em 14 de junho, teriam sido dissolvidos os exércitos de Létizia, Kocapa, Oser e Riario; em 15 de junho, o de Kyia; e, em 16 de junho, os de Susaku e Lierre. A dissolução quase simultânea de tantas forças não parece indicar simples reorganização ordinária. Aponta, antes, para perda aguda de presença operacional em campo, ao menos neste ciclo imediato de combates.

Relatos adicionais indicam que numerosos soldados da ONE e do grupo de Meridio estariam embarcando por mar. Esse movimento é interpretado por fontes favoráveis à Coalizão Franco-Ibérica como sinal de retirada, esgotamento ou tentativa de reposicionamento. Para essas fontes, a ONE, após meses de propaganda de força, inevitabilidade e domínio estratégico, teria perdido em poucas noites boa parte das posições que sustentavam sua imagem de superioridade militar em território português.

A narrativa da ONE, no entanto, permanece distinta. Justinian, uma das vozes mais conhecidas do grupo, rejeitou a ideia de derrota definitiva e respondeu em tom provocativo: “Se pudessem, manteriam. Não podem, então correm. O entroncamento era vosso ontem; é nosso hoje.” Segundo ele, a mudança de controle de pontos estratégicos demonstraria que a ONE ainda é capaz de empurrar seus adversários e que estes não conseguem sustentar posições avançadas. Justinian encerrou a declaração desafiando os oponentes a permanecerem e lutarem, caso discordem dessa leitura.

O contraste entre as versões é revelador. Para a Coalizão Franco-Ibérica, os últimos dias representam uma virada operacional: retomada de Santarém, entrada em Chaves e Guarda, avanço até Lamego e dissolução massiva de exércitos da ONE. Para Justinian e seus aliados, os recuos adversários e mudanças de posição seriam prova de que a guerra permanece móvel e de que seus inimigos não conseguem conservar o terreno que ocupam.

A reflexão de Tuzun Astur & Cottoné oferece uma terceira camada de leitura, menos propagandística e mais humana. Em seu relato, escrito de regresso a Santarém, ele descreve soldados junto às brasas moribundas do acampamento, homens envoltos em mantas úmidas, outros afiando armas sob a luz das tochas, todos presos à espera entre duas batalhas. Recorda a frustração do fim de maio, quando sangue, esforço e mortos pareceram perder-se entre erros e designíos incompreensíveis. Mas também reconhece o trabalho silencioso dos que não descansaram: exploradores em caminhos sem nome, oficiais debruçados sobre planos até altas horas da noite, mensageiros entrando e saindo das tendas do Estado-Maior.

Sua conclusão é clara: a guerra não pertence apenas aos que avançam com bravura, mas também aos que sabem esperar. “Retirar-se um passo pode ser a forma mais segura de avançar dois”, escreveu. A frase talvez resuma a lógica dos últimos acontecimentos. Santarém foi cedida, tomada, esvaziada, armadilhada e retomada. O orgulho de conservar cada palmo foi substituído pelo cálculo de sacrificar uma posição momentânea para produzir ganho maior.

Ainda é cedo para afirmar que a guerra mudou definitivamente de rumo. A ausência de comunicados oficiais completos por parte das autoridades portuguesas, lisboetas e de diversas lideranças militares impede conclusões absolutas. Mas o conjunto das informações disponíveis aponta para uma inflexão relevante: a ONE, antes ofensiva e confiante, enfrenta agora dissoluções de exércitos, perdas de presença em campo e contestação direta em áreas que considerava fundamentais.

Os homens da ONE continuam sendo adversários formidáveis. Ainda possuem capacidade de reorganização, discurso agressivo e experiência militar acumulada. Contudo, como escreveu Tuzun, “há tempo deixaram de parecer gigantes”. A frase, vinda de alguém que acompanhou os últimos acontecimentos da linha de frente, não encerra a guerra, mas marca uma mudança de percepção.

Pela primeira vez em muitos meses, a sensação entre os aliados parece menos defensiva e mais confiante. Santarém voltou a Lisboa. Chaves, Lamego e Guarda entraram no centro da ofensiva franco-ibérica. Exércitos da ONE foram dissolvidos. E, entre recuos, emboscadas, marchas e retirada por mar, a guerra portuguesa demonstrou novamente que nenhuma lenda resiste intacta quando o chão desaparece sob os pés de quem prometia jamais correr.

A KAP continuará acompanhando os acontecimentos, buscando confirmação junto às partes envolvidas e registrando a evolução de uma guerra que, mais uma vez, mostra que nenhuma vitória é definitiva enquanto os exércitos ainda marcham.

Augusto Bibiano d'Avis, para a KAP de PORTUGAL.



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17/06/1474 Eleição para o Conselho de Condado do Porto: IN recolhe a maioria absoluta dos assentos.

LISBOA (KAP) - A lista Independentes do Norte obtém mais votos na eleição para o Conselho de Condado do Porto, obtendo a maioria absoluta dos assentos. Deste modo, poderá governar sozinha.

Distribuição dos votos:

1. "Independentes do Norte" (IN) : 100%

A distribuição proporcional dos assentos no conselho, em função dos votos, é feita da seguinte forma:

1 : Vivian (IN)
2 : Missmoon (IN)
3 : Lucio.de.la.torre (IN)
4 : Jack_rackham (IN)
5 : Chok0 (IN)
6 : Lil.li (IN)
7 : Satyrus (IN)
8 : Izak (IN)
9 : Balyan (IN)
10 : Lyssah (IN)
11 : Riario (IN)
12 : Jimbos (IN)

Os novos membros do Conselho reconhecerão o novo Conde dentro de dois dias. O Conde, por sua vez, deverá prestar suas homenagens ao Monarca de Portugal e nomear os conselheiros para os seus novos cargos.

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Cours

Product Price Variation
Loaf of bread 4.56 -0.28
Fruit 9.92 0
Bag of corn 3.7 0.87
Bottle of milk 9.48 0.11
Fish 20.26 0.06
Piece of meat 12.25 0.13
Bag of wheat 10.89 -0
Bag of flour 12.88 1.64
Hundredweight of cow 20.53 0.33
Ton of stone 10.44 -0
Half-hundredweight of pig 15.41 0.05
Ball of wool 10.86 -0.14
Hide 16.32 -0.06
Coat 49.5 0
Vegetable 9.38 -0.18
Wood bushel 4.19 0.08
Small ladder 20.18 0
Large ladder 68.02 0
Oar 20 -0
Hull 36.49 0
Shaft 8.16 -0.14
Boat 99.33 0.63
Stone 18.32 -0.11
Axe 150.74 0
Ploughshare 38.44 0
Hoe 30 0
Ounce of iron ore 11.52 0.2
Unhooped bucket 21.88 0
Bucket 37.73 0
Knife 17.89 0
Ounce of steel 49.04 -0.06
Unforged axe blade 53.91 0
Axe blade 116.44 0
Blunted axe 127.79 -2.51
Hat 53.38 0.08
Man's shirt 119.57 0.12
Woman's shirt 121.14 0
Waistcoat 141.4 0
Pair of trousers 74.61 -0.09
Mantle 257.82 0
Dress 265.04 -0.2
Man's hose 45.63 -0
Woman's hose 44.32 0
Pair of shoes 27.53 -0.01
Pair of boots 86.57 0
Belt 45.2 -0
Barrel 12.02 0
Pint of beer 0.82 0
Barrel of beer 66.51 2.5
Bottle of wine 1.66 0
Barrel of wine N/A N/A
Bag of hops 19.34 0
Bag of malt 10 0
Sword blade 101.19 0
Unsharpened sword 169.69 0
Sword 146.48 -0.07
Shield 36.91 0
Playing cards 73.55 -0
Cloak 180.72 0
Collar 68.35 -0.06
Skirt 135.35 0
Tunic 222.36 0
Overalls 115.73 0
Corset 117.2 0
Rope belt 53.86 0
Headscarf 60.73 0
Helmet 164.91 0
Toque 48.61 0
Headdress 79.65 0
Poulaine 64.02 0
Cod 11.36 0
Conger eel 12.81 0
Sea bream 18.31 0
Herring 17.43 0
Whiting 17.42 0
Skate 12.16 0
Sole 18.11 0
Tuna 12.51 0
Turbot 18.02 0
Red mullet 16.53 0
Mullet 12.47 -0
Scorpionfish 20.5 0
Salmon 16.51 0
Arctic char 12 0
Grayling 14.77 0
Pike 17.6 0
Catfish N/A N/A
Eel 15.09 0
Carp 17.98 0.03
Gudgeon 17.68 -0.04
Trout 17.51 0
Pound of olives 13.38 0
Pound of grapes 9.18 0
Sack of barley 10.67 0
Half-hundred weight of goat carcasses 18.99 0
Bottle of goat's milk 12.81 0
Tapestry 143.6 0
Bottle of olive oil 121.94 -0
Jar of agave nectar N/A N/A
Bushel of salt 19.89 0
Bar of clay 3.43 -0
Cask of Scotch whisky 93.32 -0
Cask of Irish whiskey 131.27 0
Bottle of ewe's milk 10.57 0
Majolica vase 10 0
Porcelain plate N/A N/A
Ceramic tile N/A N/A
Parma ham 84.97 0
Bayonne ham 34.65 -0
Iberian ham 70.28 0
Black Forest ham 54.72 0
Barrel of cider 51.16 0
Bourgogne wine 76.22 0
Bordeaux wine 60.89 0.31
Champagne wine 141.21 -5.25
Toscana wine 33.69 0
Barrel of porto wine 87.44 0
Barrel of Tokaji 163.71 0
Rioja wine 159.19 0
Barrel of Retsina 36.79 -0
Pot of yoghurt 85.17 -0
Cow's milk cheese 77.07 0
Goat's milk cheese 85.06 2.5
Ewe's milk cheese 52.26 0
Anjou wine 50.88 -0
Ewe carcass 15.03 0
Mast 456.7 0
Small sail 215.71 0
Large sail 838.79 0
Tumbler of pulque N/A N/A
Jar of pulque N/A N/A