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10/07/1474 O que a independência deixou ao Porto: uma baga e uma dívida




Lisboa (KAP)

A Casa do Povo da cidade do Porto não tem nada, e ainda deve. É essa, em duas linhas, a conclusão da auditoria que o Conde Dunlop Kalfani Torre, na qualidade de Prefeito Interino da cidade, fez publicar no Gabinete do Prefeito. A tesouraria municipal acusa saldo negativo de 7.689,92 cruzados. Nos armazéns, restam dois itens. E, segundo a nota que acompanha o documento, o esvaziamento não é obra do acaso nem da fome da guerra, mas de uma transferência de bens ocorrida em outubro de 1473.

O inventário de mercadorias, colhido a 28 de junho, dispensa comentário. Nos armazéns da Casa do Povo havia, ao todo, uma baga de sabugueiro preto e uma pedra interessante. Nada mais. Nem grão para semear, nem minério para as forjas, nem madeira, nem ferramenta. Uma cidade despida até os pregos.

O painel da tesouraria mostra como se chega a tal estado. No dia da apuração, como na véspera, o rendimento dos impostos foi de zero cruzados. O das vendas, igualmente zero. O que ainda sustenta a instituição é, quase por inteiro, o rendimento da nobreza, cento e vinte e cinco cruzados diários, setecentos e dezoito na semana, contra os quais corriam os salários dos milicianos e as despesas de recrutamento.

Os livros contabilísticos confirmam a exiguidade. No cômputo dos últimos sete dias, a receita global somou oitocentos e trinta e dois cruzados, dos quais setecentos e oitenta e cinco vieram do rendimento da nobreza, trinta e quatro de doações de particulares, doze da taverna e um único cruzado da venda de bilhetes para a arena. As despesas do mesmo período alcançaram quatrocentos e sessenta e oito cruzados, sendo cento e vinte em salários dos milicianos. Uma cidade que vive de esmola de nobres e de bilhetes de arena não fornece machados nem reergue oficinas.

A origem do buraco está fixada na nota do Prefeito. A Casa do Povo, escreve Dunlop, encontrava-se ao abandono desde Outubro de 1473, quando os bens e o dinheiro da mesma foram retirados e passados para os cidadãos Ana_clara e Malvino. Desde então, prossegue, contraiu-se a dívida de quase oito mil cruzados que a nova administração diz agora tentar reverter. Os registros da auditoria situam as transações naquele mesmo período, em que Malvino ocupava a prefeitura da cidade.

O peso disso não se mede apenas em algarismos. Uma Casa do Povo é o celeiro e o cofre comum de uma cidade, aquilo a que recorrem os que precisam de trabalho, de sementes, de pão. Que a do Porto tenha atravessado a guerra sem reservas, e saia dela devendo oito mil cruzados, explica muito do que se vê hoje nas suas ruas: oficinas paradas, minas por reabrir, gente sem sustento. Os cidadãos que sustentaram a cidade com o seu trabalho descobrem agora que o produto dele não estava lá quando dele precisaram.

O caso repete um padrão que a KAP tem registrado de praça em praça. Em Chaves, cidade do mesmo Condado, os livros revelaram, após a reconquista, que a prefeita separatista em fuga levara consigo mais de mil cruzados do erário. Em Coimbra, a auditoria dos cofres condais, conduzida pelo Comissário do Comércio, apurou pouco mais de três mil cruzados, e o general Vilacovense declarou a este jornal que haviam roubado todo o espólio do Condado. Não se trata, ao que tudo indica, de episódios isolados, mas de método.

Restava ouvir os nomeados, e a KAP procurou Malvino por três vezes, colocando-lhe as suas páginas à inteira disposição e formulando-lhe perguntas que admitiam defesa integral. Bastava dizer se recebeu os bens, sob que autoridade, e que destino lhes deu. Se os recebera por ordem legítima do governo então em funções, e aos fins públicos os destinara, este jornal o publicaria com o mesmo destaque que deu à acusação.

Não veio negativa alguma. Numa primeira resposta, Malvino escusou-se com um dito popular, alegando não haver sido prefeito nos últimos anos, ao que esta casa esclareceu que não lhe imputava o mando da retirada, e sim o proveito dela. Na segunda, escrita a 9 de julho, recorreu a uma alegoria de animais de quinta, na qual acomodou chalaças a pessoas deste Reino, e concluiu, ao explicar o que fizera do que recebera, que não podia deixar os animais da minha quinta a passar fome.

Não cabe a este jornal converter uma zombaria em confissão. Cabe-lhe registrar que, interrogado três vezes sobre se lhe foram entregues bens do povo do Porto, Malvino nunca o negou. Que dispunha de uma palavra para se livrar da acusação, e não a disse. E que, questionado sobre o destino daqueles bens, respondeu falando do gado da sua propriedade. O que o leitor há de concluir de tal silêncio, a KAP deixa ao seu critério, como sempre deixou.

Enquanto isso, no Porto, uma baga de sabugueiro e uma pedra é tudo o que resta nos armazéns de uma cidade inteira. Não foi a guerra que os esvaziou. Foram mãos independentes, que sabiam onde estava a chave. Da independência proclamada não por ambição, mas por Justiça, ficaram ao povo do Porto uma baga, uma pedra e uma dívida.

Augusto Bibiano d'Avis, para a KAP de PORTUGAL.


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Cours

Product Price Variation
Loaf of bread 4.48 -0.67
Fruit 9.19 0.56
Bag of corn 2.89 -0.01
Bottle of milk 7.96 0
Fish 10.3 -1.55
Piece of meat 18.19 2.42
Bag of wheat 10.34 0.04
Bag of flour 11.23 0.38
Hundredweight of cow 22.29 1.84
Ton of stone 13.82 0
Half-hundredweight of pig 14.4 0
Ball of wool 7.31 -0.38
Hide 14.3 0
Coat N/A N/A
Vegetable 6.93 0.99
Wood bushel 3.94 -0.57
Small ladder 22.5 0
Large ladder 63.75 4.88
Oar 30 0
Hull 28.04 0
Shaft 8 1.25
Boat 82.5 0
Stone 14.39 1.08
Axe 143 -2.5
Ploughshare N/A N/A
Hoe N/A N/A
Ounce of iron ore 17.81 -0.08
Unhooped bucket 22.75 0
Bucket 32.25 -0.25
Knife 12.71 0
Ounce of steel 58 0
Unforged axe blade 70 0
Axe blade 123.13 0
Blunted axe 140.13 0
Hat 47.56 0
Man's shirt 107.2 5.08
Woman's shirt 83.44 0
Waistcoat 139.91 0
Pair of trousers 58.06 0
Mantle 269.98 0
Dress 202.5 0
Man's hose 43 0
Woman's hose 35.62 0
Pair of shoes 21.19 0
Pair of boots 63.75 0
Belt 37.06 0
Barrel 10.15 0
Pint of beer 0.64 0
Barrel of beer 66.29 0
Bottle of wine N/A N/A
Barrel of wine N/A N/A
Bag of hops 13.99 0
Bag of malt N/A N/A
Sword blade 131.56 0
Unsharpened sword 103.13 0
Sword 156.33 0
Shield 35.63 0
Playing cards 63.13 0
Cloak 147.69 0
Collar 57.25 0
Skirt 103.5 0
Tunic 195 0
Overalls 102.44 0
Corset 102.44 0
Rope belt 46 0
Headscarf 53.63 0
Helmet 138.75 0
Toque 47.99 0
Headdress 70.69 0
Poulaine 59.25 0
Cod 17.5 0
Conger eel 11.88 0
Sea bream 15.06 0
Herring 21.34 0
Whiting 18.44 0
Skate 16.38 0
Sole 17.38 0
Tuna 17.69 0
Turbot 18.28 0
Red mullet 18.5 0
Mullet 17.69 0
Scorpionfish N/A N/A
Salmon 18 0
Arctic char N/A N/A
Grayling 17.01 0
Pike 15.43 0
Catfish N/A N/A
Eel 16.81 0
Carp 13.75 0
Gudgeon 17.81 0
Trout 17.94 0
Pound of olives 11.88 0
Pound of grapes 6.61 0.05
Sack of barley 16.88 0
Half-hundred weight of goat carcasses N/A N/A
Bottle of goat's milk 12.81 0
Tapestry 107.19 0
Bottle of olive oil 126.25 0
Jar of agave nectar N/A N/A
Bushel of salt 24.81 0
Bar of clay 2.31 -1
Cask of Scotch whisky 93.75 0
Cask of Irish whiskey 98.75 0
Bottle of ewe's milk 14.07 0
Majolica vase N/A N/A
Porcelain plate N/A N/A
Ceramic tile N/A N/A
Parma ham 92.5 0
Bayonne ham 80.31 0
Iberian ham 79.5 0
Black Forest ham 81.25 0
Barrel of cider 79.06 0
Bourgogne wine 84.38 0
Bordeaux wine 60.63 0
Champagne wine 179.38 0
Toscana wine 75 0
Barrel of porto wine 88.75 0
Barrel of Tokaji 130 0
Rioja wine 108.44 0
Barrel of Retsina 90.63 0
Pot of yoghurt 79.69 0
Cow's milk cheese 75 0
Goat's milk cheese 115 0
Ewe's milk cheese 85.38 0
Anjou wine 40.31 0
Ewe carcass 14.35 0
Mast 434.66 0
Small sail 183.63 0
Large sail 939.58 0
Tumbler of pulque N/A N/A
Jar of pulque N/A N/A