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22/06/1474 Os hinos do trovador francês Piers de Fécamp




Lisboa (KAP)

Há guerras que se contam em despachos, e há guerras que se cantam. A que hoje atravessa Portugal ganhou, entre os exércitos que vieram de França em socorro da liberdade do Reino, a sua voz: a de Piers de Fécamp, soldado e trovador das hostes francesas que, entre uma marcha e uma batalha, compôs duas canções que acompanham, do princípio ao desfecho, a campanha da Aliança Franco-Ibérica contra os estrangeiros da ONE e de Meridio.

A primeira, Le Chant du départ vers le Portugal — O Canto da Partida Rumo a Portugal —, nasceu em fevereiro, quando as colunas francesas se punham a caminho do sul. É uma canção de marcha, de estandartes erguidos e aço pronto, de passo pesado e coração ardente. Nela, Piers evoca um povo do sul acorrentado sob o jugo do invasor e um exército que se lança, por um mês inteiro de marcha, sob a noite, a fome e o frio, para o libertar — saber vencer e saber resistir, eis o seu juramento, pela liberdade de Portugal. Os pendões negros do inimigo, que diz flutuarem sem honra sobre as cidades, e os campos e igrejas profanados anunciam a tempestade que o ferro virá responder. Era, em suma, o hino da expedição: a guerra enunciada, desde a primeira nota, como empresa de libertação. Veja a tradução do texto:

O Canto da Partida rumo a Portugal


A estrada é longa, mas a hora soou.


Estandartes se erguem ao vento.

A França marcha, o aço está pronto.


O passo é pesado, o coração ardente.

Ao sul, um povo está sob correntes,


a santa cruz pisada pelo invasor.


Hoje o exército se põe em marcha

para libertar um povo irmão.


A França nos chama:

saibamos vencer, saibamos resistir,


pela vida.

Pela liberdade de Portugal,

marchamos prontos a tudo oferecer.


Um mês de marcha, um mês de provação,

sob a noite, a fome e o frio.


Não se cala a aproximação da obra

em que o opressor tombará.


Eles acreditaram que a terra estava sem defesa.

Eles acreditaram que o medo seria eterno.


Mas ouvirão, de vale em vale, de árvore em árvore,


a França que avança,

sabendo vencer, sabendo resistir,

pela liberdade dos povos.


Marchamos prontos a tudo.

Os estandartes negros do inimigo

flutuam sobre cidades tomadas sem honra.


Eles pisaram campos e igrejas,

e esmagaram a lei pelo medo.


Que saibam: vem a tempestade.

Que o ferro responderá à força.


A França entra na batalha

pela honra e pela liberdade.


A França nos chama:

saibamos vencer, saibamos resistir,


pela liberdade,

marchamos prontos a tudo.


A segunda, Le Chant de la Libération — O Canto da Libertação —, foi lançada hoje, 21 de junho, e já se ouve em todos os acampamentos legalistas. Se a primeira era partida, esta é desfecho. Canta os que vieram de além-mar, seguros da sua força e do seu poder, julgando a vitória já ganha — e o Portugal que, apesar de tudo, permaneceu de pé. Os da ONE, tidos por invencíveis e temidos por tantos reinos, são agora dados por vencidos: hoje fogem, o seu avanço quebrado, as suas armas em retirada. Voluntários acorridos de toda a parte, de reinos distantes às terras daqui, unidos em defesa da liberdade — e é dessa união dos povos que a canção faz a força que derrubou os que se criam senhores dos portos e dos oceanos. O refrão, desafiador, repete que não passarão, que não se recuará, que não se cederá. Veja a tradução da canção:

O Canto da Libertação


Eles vieram por além dos mares,

seguros de sua força e de seu poder.


Já acreditavam ter a vitória nas mãos,

mas Portugal permaneceu de pé.


Sim, os inimigos foram vencidos.

Sim, eles, que se julgavam tão fortes.


Sim, Portugal os enfrentou.

Sim, hoje eles fogem.


Não, eles não passarão.

Não, nós não recuaremos.


Não, nós não dobraremos os joelhos.

Não, nós não cederemos.


Voluntários vieram de toda parte

para defender um povo que permaneceu de pé.


De reinos distantes até as terras daqui,

todos unidos para defender a liberdade.


Sim, os inimigos foram vencidos.

Sim, eles, que se julgavam tão fortes.


Sim, Portugal os enfrentou.

Sim, hoje eles fogem.


Não, eles não passarão.

Não, nós não recuaremos.


Não, nós não nos dobraremos.

Não, nós não cederemos.


Eles já se viam conquistadores,

senhores dos portos e dos oceanos.


Hoje, seu avanço foi quebrado.


Suas armas batem em retirada.

Sim, eles foram vencidos.


Sim, eles, que se julgavam tão fortes.


Sim, Portugal os enfrentou.

Sim, hoje eles fogem.


Não, eles não passarão.

Não, nós não recuaremos.


Não, nós não nos dobraremos.

Não, nós não cederemos.


Diziam que eles eram invencíveis.

Muitos reinos os temeram.


Mas os povos se reuniram,

e sua vontade os venceu.


Sim, os inimigos foram vencidos.

Sim, eles, que se julgavam tão fortes.


Sim, Portugal os enfrentou.

Sim, hoje eles fogem.


Não, eles não passarão.

Não, nós não recuaremos.


Não, nós não nos dobraremos.


Não, nós não cederemos.

Abaixo os tiranos.


Viva a liberdade.


O próprio autor explicou o sentido da obra. Le Chant de la Libération, disse o trovador das hostes francesas, narra um dos momentos mais marcantes da campanha de Portugal: a ONE dominava os mares e muitos a julgavam invencível, mas, ao cabo de meses de guerra, de resistência e de mobilização, Portugal permaneceu de pé. Vieram voluntários de todos os horizontes em defesa da liberdade e, perante essa união dos povos, o avanço da ONE foi quebrado e os seus exércitos bateram em retirada. A canção, nas suas palavras, celebra a vitória, a coragem dos defensores e a prova de que mesmo os poderosos podem ser detidos quando um povo se recusa a ceder. Rematou com o brado que ecoa agora pelas tendas: À bas les ONES ! Vive la liberté !

Convém, ainda assim, o reparo que o ofício impõe: estas são canções de um lado. Hinos do campo aliado e legalista, nos quais o invasor tem nome — ONE, Meridio — e os voluntários trazem a libertação. Toda a arte de guerra empunha um estandarte, e não há dúvida de que, do outro lado das linhas, a mesma campanha se cantaria de outro modo. Mas é precisamente como documento de um espírito — o fervor que trouxe a solo português gentes de reinos longínquos, e o ânimo que hoje percorre os acampamentos — que estas melodias merecem registo. E há nelas uma coincidência que não escapa ao cronista: enquanto os exércitos reais entram em Coimbra e a maré da guerra se inverte, as tendas cantam a libertação. A espada e a canção marcham, desta vez, ao mesmo passo.

Porque as guerras, passada a poeira, sobrevivem menos nos números das baixas do que nas histórias que delas se contam. Reconstruídas as praças e regularizadas as vilas, talvez seja por estas toadas — e não pelos comunicados — que o povo recordará os meses em que Portugal, segundo o trovador, se recusou a ceder. A KAP regista-as, pois, para a história: não como veredicto, mas como eco.

Augusto Bibiano d'Avis, para a KAP de PORTUGAL.


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Cours

Product Price Variation
Loaf of bread 4.48 -0.67
Fruit 9.19 0.56
Bag of corn 2.89 -0.01
Bottle of milk 7.96 0
Fish 10.3 -1.55
Piece of meat 18.19 2.42
Bag of wheat 10.34 0.04
Bag of flour 11.23 0.38
Hundredweight of cow 22.29 1.84
Ton of stone 13.82 0
Half-hundredweight of pig 14.4 0
Ball of wool 7.31 -0.38
Hide 14.3 0
Coat N/A N/A
Vegetable 6.93 0.99
Wood bushel 3.94 -0.57
Small ladder 22.5 0
Large ladder 63.75 4.88
Oar 30 0
Hull 28.04 0
Shaft 8 1.25
Boat 82.5 0
Stone 14.39 1.08
Axe 143 -2.5
Ploughshare N/A N/A
Hoe N/A N/A
Ounce of iron ore 17.81 -0.08
Unhooped bucket 22.75 0
Bucket 32.25 -0.25
Knife 12.71 0
Ounce of steel 58 0
Unforged axe blade 70 0
Axe blade 123.13 0
Blunted axe 140.13 0
Hat 47.56 0
Man's shirt 107.2 5.08
Woman's shirt 83.44 0
Waistcoat 139.91 0
Pair of trousers 58.06 0
Mantle 269.98 0
Dress 202.5 0
Man's hose 43 0
Woman's hose 35.62 0
Pair of shoes 21.19 0
Pair of boots 63.75 0
Belt 37.06 0
Barrel 10.15 0
Pint of beer 0.64 0
Barrel of beer 66.29 0
Bottle of wine N/A N/A
Barrel of wine N/A N/A
Bag of hops 13.99 0
Bag of malt N/A N/A
Sword blade 131.56 0
Unsharpened sword 103.13 0
Sword 156.33 0
Shield 35.63 0
Playing cards 63.13 0
Cloak 147.69 0
Collar 57.25 0
Skirt 103.5 0
Tunic 195 0
Overalls 102.44 0
Corset 102.44 0
Rope belt 46 0
Headscarf 53.63 0
Helmet 138.75 0
Toque 47.99 0
Headdress 70.69 0
Poulaine 59.25 0
Cod 17.5 0
Conger eel 11.88 0
Sea bream 15.06 0
Herring 21.34 0
Whiting 18.44 0
Skate 16.38 0
Sole 17.38 0
Tuna 17.69 0
Turbot 18.28 0
Red mullet 18.5 0
Mullet 17.69 0
Scorpionfish N/A N/A
Salmon 18 0
Arctic char N/A N/A
Grayling 17.01 0
Pike 15.43 0
Catfish N/A N/A
Eel 16.81 0
Carp 13.75 0
Gudgeon 17.81 0
Trout 17.94 0
Pound of olives 11.88 0
Pound of grapes 6.61 0.05
Sack of barley 16.88 0
Half-hundred weight of goat carcasses N/A N/A
Bottle of goat's milk 12.81 0
Tapestry 107.19 0
Bottle of olive oil 126.25 0
Jar of agave nectar N/A N/A
Bushel of salt 24.81 0
Bar of clay 2.31 -1
Cask of Scotch whisky 93.75 0
Cask of Irish whiskey 98.75 0
Bottle of ewe's milk 14.07 0
Majolica vase N/A N/A
Porcelain plate N/A N/A
Ceramic tile N/A N/A
Parma ham 92.5 0
Bayonne ham 80.31 0
Iberian ham 79.5 0
Black Forest ham 81.25 0
Barrel of cider 79.06 0
Bourgogne wine 84.38 0
Bordeaux wine 60.63 0
Champagne wine 179.38 0
Toscana wine 75 0
Barrel of porto wine 88.75 0
Barrel of Tokaji 130 0
Rioja wine 108.44 0
Barrel of Retsina 90.63 0
Pot of yoghurt 79.69 0
Cow's milk cheese 75 0
Goat's milk cheese 115 0
Ewe's milk cheese 85.38 0
Anjou wine 40.31 0
Ewe carcass 14.35 0
Mast 434.66 0
Small sail 183.63 0
Large sail 939.58 0
Tumbler of pulque N/A N/A
Jar of pulque N/A N/A