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13/05/1474 Editorial: A calma que precede a tempestade




Coimbra (KAP)

Há silêncios que parecem paz. Outros parecem medo. E há ainda aqueles, mais perigosos, que não parecem coisa nenhuma, porque ninguém sabe já se o Reino está a respirar devagar ou se simplesmente se esqueceu de respirar.

Desde o discurso de SMR José Pacheco, no passado dia 8 de abril, a Praça Pública de Portugal tornou-se uma coisa estranha. Não é bem uma praça; é mais um largo com memória. Ali, onde antes se juntavam vozes, acusações, respostas, risos, insultos, ameaças finas, sermões grossos e aquela velha mania portuguesa de discutir até a sombra das palavras, agora quase nada se ouve. Não se vê ninguém pelas ruas. Não se vê quem comente. Não se vê quem conteste. Não se vê quem pergunte. E quando um Reino inteiro deixa de perguntar, convém não aplaudir demasiado depressa.

Portugal sempre foi pequeno em pedra e enorme em ruído. Uma frase lançada na Praça Pública bastava para trazer meio Reino à janela. Um decreto mal escrito acordava nobres, plebeus, escribas, soldados, viúvas, primos e inimigos que juravam não se importar. Havia quem falasse de leis sem as ler, quem lesse leis sem as entender, e quem as entendesse apenas para as torcer melhor. Mas havia vida. Desordenada, venenosa, teatral, sim. Vida, ainda assim. Hoje, o que há é chão.

O Real Paço da Ribeira também não ajuda a dissipar a sensação. Depois do grande discurso do dia 8, esperava-se movimento, ou pelo menos sombra de movimento. Um Reino em guerra costuma produzir passos, portas abertas, mensageiros a entrar e sair, ministros fingindo pressa, conselheiros perdidos em pergaminhos, servidores a carregar tinta como se carregassem destino. Mas o Paço parece ter aprendido a arte de parecer fechado mesmo quando devia estar aberto.

Na Corte dos Nobres, que ainda costumava dar algum sinal de vida, não se vê verdadeiro movimento desde finais de março. Pior ainda nas Cortes Gerais. Ali, onde a Carta Magna coloca a união das vozes do povo, da nobreza e do clero, não se vê movimento desde o verão passado. O Tribunal Régio não fica atrás. Também ali o verão passado parece ter sido a última vela acesa com alguma convicção. E depois há a Real Chancelaria ou melhor, há o edifício, o nome, a poeira e a paciência dos que ainda fingem que aquilo existe. Dois anos sem que se veja sequer uma luz acesa.

Enquanto isso, lá fora, as penas continuam a trabalhar. Agora foi Valência quem falou. No comunicado assinado no Palácio Real de Valência, no décimo segundo dia do quinto mês de 1474, o Rei Socrate De La Rojas reafirmou a posição da Coroa Valenciana sobre a guerra que consome Portugal. Recordou o ataque da O.N.E. aos portos valencianos em outubro passado, falou da expulsão dos Semper Fidelis, confirmou a ativação do Artigo V da Liga Ibérica por Castela e Leão, e declarou que Valência mantém há meses contactos constantes com a Coroa Portuguesa e com o Condado de Lisboa, a quem prestou apoio estratégico, logístico e de inteligência.

Disse ainda que os seus exércitos marcham agora com os aliados da Liga Ibérica e da Coroa de França, e chamou o povo valenciano a preparar-se para o que descreve como apenas o começo. É curioso. Valência fala da guerra portuguesa com mais detalhe do que Portugal. Valência explica contactos, apoios, inteligência, logística, alianças, preparação produtiva, esforço militar e deveres futuros. A França fala. Castela fala. Aragão fala. A Catalunha fala. Valência fala. E em Portugal, onde a guerra entra pelas portas, pelas estradas, pelos portos e pelas feridas, a Praça Pública continua vazia.

Não se sabe, é verdade, se esta é a calma que precede a tempestade. Talvez os generais estejam a reagrupar. Talvez as tropas estejam a deslocar-se sem ruído. Talvez os exércitos estejam a lamber feridas, contar homens, coser carne, remendar botas e esperar a próxima ordem. Talvez o silêncio militar seja estratégia, e não abandono. Talvez alguém diga que, em tempos de guerra, nem tudo deve ser público. Naturalmente, ninguém pediria ao Rei que desenhasse os movimentos de tropas na parede da taberna.

Talvez amanhã se descubra que era tudo preparação. Que os generais se moviam, que os mensageiros corriam, que os ministros decidiam, que as Cortes respiravam por alguma fresta secreta. Portugal tornou-se um Reino cheio de talvezes, mas o silêncio político é outra coisa, e nenhum Reino deve habituar-se a governar às escuras.

Porque quando um aliado estrangeiro anuncia que há meses mantém contactos com a Coroa Portuguesa e com Lisboa, e ainda assim o Reino nada sabe pela boca das suas próprias instituições, o problema já não é apenas silêncio. É substituição. Outros contam por nós aquilo que os nossos deviam explicar. Outros dão forma pública ao que aqui fica fechado.

Não sei se é a calma que precede a tempestade. Sei apenas que Portugal nunca ouviu tanto silêncio.

Brigal para a KAP de PORTUGAL.


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Cours

Product Price Variation
Loaf of bread 4.48 -0.67
Fruit 9.19 0.56
Bag of corn 2.89 -0.01
Bottle of milk 7.96 0
Fish 10.3 -1.55
Piece of meat 18.19 2.42
Bag of wheat 10.34 0.04
Bag of flour 11.23 0.38
Hundredweight of cow 22.29 1.84
Ton of stone 13.82 0
Half-hundredweight of pig 14.4 0
Ball of wool 7.31 -0.38
Hide 14.3 0
Coat N/A N/A
Vegetable 6.93 0.99
Wood bushel 3.94 -0.57
Small ladder 22.5 0
Large ladder 63.75 4.88
Oar 30 0
Hull 28.04 0
Shaft 8 1.25
Boat 82.5 0
Stone 14.39 1.08
Axe 143 -2.5
Ploughshare N/A N/A
Hoe N/A N/A
Ounce of iron ore 17.81 -0.08
Unhooped bucket 22.75 0
Bucket 32.25 -0.25
Knife 12.71 0
Ounce of steel 58 0
Unforged axe blade 70 0
Axe blade 123.13 0
Blunted axe 140.13 0
Hat 47.56 0
Man's shirt 107.2 5.08
Woman's shirt 83.44 0
Waistcoat 139.91 0
Pair of trousers 58.06 0
Mantle 269.98 0
Dress 202.5 0
Man's hose 43 0
Woman's hose 35.62 0
Pair of shoes 21.19 0
Pair of boots 63.75 0
Belt 37.06 0
Barrel 10.15 0
Pint of beer 0.64 0
Barrel of beer 66.29 0
Bottle of wine N/A N/A
Barrel of wine N/A N/A
Bag of hops 13.99 0
Bag of malt N/A N/A
Sword blade 131.56 0
Unsharpened sword 103.13 0
Sword 156.33 0
Shield 35.63 0
Playing cards 63.13 0
Cloak 147.69 0
Collar 57.25 0
Skirt 103.5 0
Tunic 195 0
Overalls 102.44 0
Corset 102.44 0
Rope belt 46 0
Headscarf 53.63 0
Helmet 138.75 0
Toque 47.99 0
Headdress 70.69 0
Poulaine 59.25 0
Cod 17.5 0
Conger eel 11.88 0
Sea bream 15.06 0
Herring 21.34 0
Whiting 18.44 0
Skate 16.38 0
Sole 17.38 0
Tuna 17.69 0
Turbot 18.28 0
Red mullet 18.5 0
Mullet 17.69 0
Scorpionfish N/A N/A
Salmon 18 0
Arctic char N/A N/A
Grayling 17.01 0
Pike 15.43 0
Catfish N/A N/A
Eel 16.81 0
Carp 13.75 0
Gudgeon 17.81 0
Trout 17.94 0
Pound of olives 11.88 0
Pound of grapes 6.61 0.05
Sack of barley 16.88 0
Half-hundred weight of goat carcasses N/A N/A
Bottle of goat's milk 12.81 0
Tapestry 107.19 0
Bottle of olive oil 126.25 0
Jar of agave nectar N/A N/A
Bushel of salt 24.81 0
Bar of clay 2.31 -1
Cask of Scotch whisky 93.75 0
Cask of Irish whiskey 98.75 0
Bottle of ewe's milk 14.07 0
Majolica vase N/A N/A
Porcelain plate N/A N/A
Ceramic tile N/A N/A
Parma ham 92.5 0
Bayonne ham 80.31 0
Iberian ham 79.5 0
Black Forest ham 81.25 0
Barrel of cider 79.06 0
Bourgogne wine 84.38 0
Bordeaux wine 60.63 0
Champagne wine 179.38 0
Toscana wine 75 0
Barrel of porto wine 88.75 0
Barrel of Tokaji 130 0
Rioja wine 108.44 0
Barrel of Retsina 90.63 0
Pot of yoghurt 79.69 0
Cow's milk cheese 75 0
Goat's milk cheese 115 0
Ewe's milk cheese 85.38 0
Anjou wine 40.31 0
Ewe carcass 14.35 0
Mast 434.66 0
Small sail 183.63 0
Large sail 939.58 0
Tumbler of pulque N/A N/A
Jar of pulque N/A N/A