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27/04/1474 Editorial: O Rei ficou no dia oito




Coimbra (KAP)

Alguns silêncios descansam. Alguns silêncios esperam. E depois há o silêncio do Paço da Ribeira, que tem o estranho talento de chegar depois dos acontecimentos e ainda assim tentar parecer prudência.

Desde o editorial de 9 de abril, a guerra não parou para respeitar o discurso régio. O mapa mexeu-se, os aliados falaram, os soldados partiram, os comandos mudaram, as estradas mudaram de mãos, e o Rei de Portugal voltou àquilo que melhor sabe fazer quando a realidade se torna incómoda: permitiu que outros escrevessem no seu lugar.

No terreno, a primeira resposta ao grande pergaminho de 8 de abril veio da Guarda e do Crato. Por duas vezes, os exércitos da O.N.E. avançaram da Guarda em direção ao Crato. Por duas vezes, as forças francesas ali presentes, lideradas por Miramaz, antigo Grande Almirante de França, e por Mogi, recuaram. Não uma vez, o que poderia sempre ser chamado de cautela por quem gosta de polir as palavras. Duas vezes. E quando a retirada se repete, deixa de ser apenas prudência militar. Torna-se uma sentença escrita no chão.

A tentativa vinda de Osma também não correu muito melhor. Uma força comandada por Nessia, antiga Marechal de França, sob bandeira castelhana, tentou avançar em direção ao Crato. Foi detida. Depois perseguida. Depois obrigada a fugir. Alguns precisam de longos tratados para compreender o estado de uma guerra. Eu, por vezes, contento-me com esta imagem: uma antiga Marechal francesa, vestida de Castela, a tentar entrar por Portugal e a sair mais depressa do que entrou.

Entretanto, a Guarda foi recuperada pelos exércitos da O.N.E. e encontra-se agora sob o Condado de Coimbra. Viseu foi declarada cidade livre por Coimbra, mas talvez o facto mais importante destes dias não esteja nas pedras da Guarda, nem às portas do Crato, nem no estatuto de Viseu. Está nos homens que começaram a partir.

As forças francesas na região estão a desfazer-se por dentro. Diz-se que cerca de vinte e cinco soldados franceses tomaram o caminho de casa, tanto da força estacionada em Valladolid como da força presente no Condado de Lisboa. Chamem-lhe deserção, chamem-lhe cansaço, chamem-lhe a fadiga de uma cruzada que parecia eterna no pergaminho e pesa muito na estrada. O nome importa menos do que o movimento. Quando os soldados partem em número suficiente para serem notados, a guerra não começa apenas a perder terreno. Começa a perder crença.

E quando uma guerra começa a perder crença, aparecem comunicados. França publicou um novo apelo aos seus voluntários em Portugal. O Condestável Wayllander de Leffe-Miras agradeceu-lhes os sacrifícios, falou dos feridos, prometeu que a Coroa não abandonaria as suas forças e anunciou reforços. Até aqui, nada surpreendente. Todos os reinos gostam de prometer que a muralha ainda está de pé precisamente no momento em que a luz começa a aparecer entre as pedras.

A parte reveladora veio depois: falou de um “vazio operacional” causado pela retirada súbita do seu antecessor, e a coordenação temporária das forças francesas na frente portuguesa foi confiada ao General White de Tiallaz. Estas palavras não devem ser passadas por alto. “Vazio operacional” não é a música da vitória. “Retirada súbita” não é uma marcha triunfal. “Chegam reforços” não se escreve quando o que existe é suficiente. E “a Coroa não abandonará as suas forças” só precisa de ser dito quando alguém, algures, começou a temer exatamente isso.

A linguagem francesa também se tornou febril. Já não fala apenas de ajudar Lisboa ou de combater uma força inimiga. Fala de uma cruzada contra o mal, de animais sem Deus nem alma, de ratos encurralados atrás de muralhas. Paris, naturalmente, escreve como Paris quer. Mas Portugal deve reparar no detalhe: quanto mais outros reinos transformam a nossa guerra num sermão universal, menos português se torna o seu centro. E quanto mais o Rei de Portugal permanece em silêncio, mais fácil se torna para os aliados explicarem Portugal em voz alta.

Aragão também se juntou ao coro. A 14 de abril, reconheceu a declaração de estado de guerra de Castela e Leão, a invocação do Artigo Cinco da Liga Ibérica, o apelo às hostes, a preparação de recursos e a mobilização de voluntários. A 17 de abril, a Coroa aragonesa voltou à pena, desta vez com mais forma e mais peso: chamou os seus nobres ao Auxilium, ofereceu ajuda económica e declarou-se pronta a colaborar na manutenção do prestígio e da força dos exércitos aliados. A frase subjacente é simples: se um membro da Liga Ibérica é tocado, a Liga responde unida.

Muito bem. Castela falou. A Catalunha falou. França falou. Aragão falou duas vezes. Até o vazio operacional francês encontrou um nome e um substituto. E o Rei de Portugal? Nada. Nenhuma nova declaração. Nenhum esclarecimento ao Reino. O Rei ficou no dia oito. Talvez o palácio esteja à espera de um momento melhor. Talvez espere pelo próximo comunicado francês que chame vitória à retirada, pelo próximo selo aragonês que chame ordem à confusão, pelo próximo juramento castelhano que chame defesa à dependência, pela próxima palavra grande que esconda a próxima pequena perda. É uma técnica antiga: deixar a poeira assentar e depois fingir que a poeira era o plano. Mas o Reino já viu poeira a mais.

Pacheco queria ser o Rei da resistência. Neste abril, começa a parecer apenas o Rei que observa a resistência dos outros, a retirada dos outros, a escrita dos outros, os reforços dos outros, os medos dos outros e as deserções dos outros. Com uma diferença: os outros movem-se, mas Portugal paga o mapa. Não é preciso repetir o passado para compreender o presente. Desde 9 de abril, o que aconteceu basta. O Crato respondeu. Osma respondeu. A Guarda respondeu. Viseu respondeu. Paris respondeu. Aragão respondeu. Até os soldados franceses responderam, alguns com os pés virados para casa. Só o Rei de Portugal continua sem resposta.

Brigal para a KAP de PORTUGAL.


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Cours

Product Price Variation
Loaf of bread 4.48 -0.67
Fruit 9.19 0.56
Bag of corn 2.89 -0.01
Bottle of milk 7.96 0
Fish 10.3 -1.55
Piece of meat 18.19 2.42
Bag of wheat 10.34 0.04
Bag of flour 11.23 0.38
Hundredweight of cow 22.29 1.84
Ton of stone 13.82 0
Half-hundredweight of pig 14.4 0
Ball of wool 7.31 -0.38
Hide 14.3 0
Coat N/A N/A
Vegetable 6.93 0.99
Wood bushel 3.94 -0.57
Small ladder 22.5 0
Large ladder 63.75 4.88
Oar 30 0
Hull 28.04 0
Shaft 8 1.25
Boat 82.5 0
Stone 14.39 1.08
Axe 143 -2.5
Ploughshare N/A N/A
Hoe N/A N/A
Ounce of iron ore 17.81 -0.08
Unhooped bucket 22.75 0
Bucket 32.25 -0.25
Knife 12.71 0
Ounce of steel 58 0
Unforged axe blade 70 0
Axe blade 123.13 0
Blunted axe 140.13 0
Hat 47.56 0
Man's shirt 107.2 5.08
Woman's shirt 83.44 0
Waistcoat 139.91 0
Pair of trousers 58.06 0
Mantle 269.98 0
Dress 202.5 0
Man's hose 43 0
Woman's hose 35.62 0
Pair of shoes 21.19 0
Pair of boots 63.75 0
Belt 37.06 0
Barrel 10.15 0
Pint of beer 0.64 0
Barrel of beer 66.29 0
Bottle of wine N/A N/A
Barrel of wine N/A N/A
Bag of hops 13.99 0
Bag of malt N/A N/A
Sword blade 131.56 0
Unsharpened sword 103.13 0
Sword 156.33 0
Shield 35.63 0
Playing cards 63.13 0
Cloak 147.69 0
Collar 57.25 0
Skirt 103.5 0
Tunic 195 0
Overalls 102.44 0
Corset 102.44 0
Rope belt 46 0
Headscarf 53.63 0
Helmet 138.75 0
Toque 47.99 0
Headdress 70.69 0
Poulaine 59.25 0
Cod 17.5 0
Conger eel 11.88 0
Sea bream 15.06 0
Herring 21.34 0
Whiting 18.44 0
Skate 16.38 0
Sole 17.38 0
Tuna 17.69 0
Turbot 18.28 0
Red mullet 18.5 0
Mullet 17.69 0
Scorpionfish N/A N/A
Salmon 18 0
Arctic char N/A N/A
Grayling 17.01 0
Pike 15.43 0
Catfish N/A N/A
Eel 16.81 0
Carp 13.75 0
Gudgeon 17.81 0
Trout 17.94 0
Pound of olives 11.88 0
Pound of grapes 6.61 0.05
Sack of barley 16.88 0
Half-hundred weight of goat carcasses N/A N/A
Bottle of goat's milk 12.81 0
Tapestry 107.19 0
Bottle of olive oil 126.25 0
Jar of agave nectar N/A N/A
Bushel of salt 24.81 0
Bar of clay 2.31 -1
Cask of Scotch whisky 93.75 0
Cask of Irish whiskey 98.75 0
Bottle of ewe's milk 14.07 0
Majolica vase N/A N/A
Porcelain plate N/A N/A
Ceramic tile N/A N/A
Parma ham 92.5 0
Bayonne ham 80.31 0
Iberian ham 79.5 0
Black Forest ham 81.25 0
Barrel of cider 79.06 0
Bourgogne wine 84.38 0
Bordeaux wine 60.63 0
Champagne wine 179.38 0
Toscana wine 75 0
Barrel of porto wine 88.75 0
Barrel of Tokaji 130 0
Rioja wine 108.44 0
Barrel of Retsina 90.63 0
Pot of yoghurt 79.69 0
Cow's milk cheese 75 0
Goat's milk cheese 115 0
Ewe's milk cheese 85.38 0
Anjou wine 40.31 0
Ewe carcass 14.35 0
Mast 434.66 0
Small sail 183.63 0
Large sail 939.58 0
Tumbler of pulque N/A N/A
Jar of pulque N/A N/A